quarta-feira, 22 de abril de 2020

Poder, política e Estado

Clique no link abaixo e acesse o conteúdo referente aos temas e conceitos abordados no segundo bimestre no terceiro ano do ensino médio da Rede Estadual do Rio de janeiro.




Poder, política e Estado



Trabalho, sociedade e capitalismo

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Trabalho, sociedade e capitalismo


Cultura, diversidade e identidade


Clique no link abaixo e tenha acesso ao material referente ao conteúdo do primeiro ano do ensino médio, segundo bimestre da rede pública estadual do Rio de janeiro.

Cultura, diversidade e identidade



domingo, 5 de abril de 2020

Cultura de massa e indústria cultural – novas tecnologias - Consumo e identidade


“A expressão ‘cultura de massa’, posteriormente trocada por ‘indústria cultural’, é aquela criada com um objetivo específico, atingir a massa popular, maioria no interior de uma população, transpondo, assim, toda e qualquer diferença de natureza social, étnica, etária, sexual etc.. Todo esse conteúdo é difundido por meio dos veículos de comunicação de massa.
Os filósofos alemães da Escola de Frankfurt, Theodor Adorno e Max Horkheimer, foram os responsáveis pela criação do termo ‘Indústria Cultural’. Estes pensadores presumiram a forma negativa como a recém-criada mídia seria utilizada durante a Segunda Guerra Mundial. Ambos eram de etnia judia, portanto sofreram perseguição dos nazistas e, para fugir deste contexto, partiram para os EUA.

Antes do surgimento da cultura de massa, havia diversas configurações culturais – a popular, em contraposição à erudita; a nacional, que “atava”, “imaginava”, “tecia” e traçava” a identidade de uma população; a cultura no sentido geral, definida como um agrupamento histórico de valores estéticos e morais; e outras tantas culturas que produziam diversificadas identidades populares.

Mas, a partir da segunda revolução industrial, no século XIX e do predomínio das regras do mercado capitalista, as artes, a cultura e a mídia foram submetidas à ideologia da indústria cultural. Com o nascimento do século XX e, com ele, dos novos meios de comunicação, estas modalidades culturais ficaram completamente submergidas sob o domínio da cultura de massa. Veículos como o cinema, o rádio e a televisão, ganharam notório destaque e se dedicaram, em grande parte, a homogeneizar os padrões da cultura. Não se pode falar em indústria cultural e sua conseqüência, a cultura de massa, em um período anterior ao da revolução Industrial, do surgimento de uma economia de mercado, uma economia baseada no consumo de bens; e da existência de uma sociedade de consumo, segunda parte do século XIX e início do século XX. Assim, a indústria cultural, os meios de comunicação de massa e a cultura de massa surgem com funções do fenômeno da industrialização. E estas, através das alterações que ocorrem no modo de produção e na forma de trabalho humano, que determina um tipo particular de indústria (a cultural) e de cultura (a de massa).

Como esta cultura é, na verdade, produto de uma atividade econômica estruturada em larga escala, de alcance internacional, hoje global, ela está vinculada, inevitavelmente, ao poderoso capitalismo industrial e financeiro. A serviço deste sistema, ela oprime incessantemente as demais culturas, valorizando tão somente os gostos culturais da massa.Os produtos de criação da cultura dos homens foram subordinados ao consumo, assim como os produtos fabricados em série nas grandes fábricas. A chegada da cultura de massa acaba submetendo as demais expressões “culturais” a um projeto comum e homogêneo.

De acordo com Oliveira e Costa (2005), o filósofo alemão Walter Benjamin afirmava que as artes e a cultura perderam sua autenticidade, seu caráter único, irrepetível, ou a beleza duradoura, que ele chamou de aura, de expressivas passaram a reprodutivas e repetitivas.De criação do belo, tornaram-se eventos de consumo, e , por conseguinte de experimento de novidade, tornaram-se consagração da moda.Ainda segundo estes autores, a indústria cultural massifica a cultura e as artes para o consumo rápido no mercado da moda e na mídia.Massificar é banalizar as artes e a produção de idéias.
Oliveira e Costa (2005) citam a filósofa Marilena Chauí para ilustrar este fato:
“A indústria cultural vende cultura. Para vendê-la, deve seduzir e agradar o consumidor.Para seduzi-lo e agradá-lo, não pode chocá-lo, provocá-lo, fazê-lo pensar.Fazê-lo ter informações novas que pertubem, mas deve devolver-lhe, com nova aparência, o que ele já sabe, já viu, já fez.”
E desto modo, temos os realyties shows, os programas que exploram a vida dif´cil de moradores da periferia dando-lhes a esperança de saltar da favela à zona nobre da cidade rapidamente, tranformando jovens em “princesas”, os comerciais que tentam nos vender produtos inúteis e sem qualidade mas com ótima produção do marketing para nos convencer de que comprá-lo mudará nossas vidas, as revistas de fofocas etc.

Para Oliveira e Costa (2005) a expressão máxima da indústria cultural são os meios de comunicação, de massa, ou mídia escrita ou eletrônica, e destacam o poder da mídia enquanto manipulação, formação de opinião, infantilização e condicionamento das mentes e produção cultural do grotesco para despolitização.Segundo estes autores, essas características da mídia se expressam de forma mais acentuada através da TV, rádio, jornais e revistas, que estão ao alcance de uma parcela maior da população.

A dominação estabelece-se através da detenção do meio de comunicação e do aperfeiçoamento da sua tecnologia. Para além da orientação conceitual daquilo que se designa por massa, outras considerações conceituais podem ser feitas: ou massa num sentido de opacidade; ou massa num sentido de solidez ou coesão. Num sentido crítico ou utilitário do poder. com os apelos desta indústria, personificados principalmente na esfera publicitária, principalmente aquela que se devota sem pudor ao sensacionalismo, é quase impossível resistir aos sabores visuais da avalanche de imagens e símbolos que inundam a mente humana o tempo todo. Este é o motor que move as engrenagens da indústria cultural e aliena as mentalidades despreparadas.

            Ao pensarmos “Identidade” somos remetidos quase que imediatamente ao RG, nosso registro civil, que possuí um número para nos identificar e uma série de outras informações que nos tornam “reconhecíveis” para o “sistema”, aos olhos da lei, para questões burocráticas etc. Nele constam nossa naturalidade indicando em que estado nascemos, nacionalidade, indicando nosso país, filiação e data de nascimento; contudo o termo “Identidade” tem um significado muito mais complexo e abrangente, afinal não podemos ser resumidos apenas  em um número. Para Jurandir Freire Costa (1989), “(…)a identidade é tudo que se vivencia (sente, enuncia) como sendo eu, por ocasião àquilo que se percebe ou anuncia como não-eu (aquilo que é meu; aquilo que é outro) (…) “a identidade não é uma experiência uniforme, pois é formulada por sistemas de representações diversos. Cada um destes sistemas corresponde ao modo como o sujeito se atrela ao universo sócio-cultural. Existe assim, uma identidade social, étnica, religiosa, de classe; profissional, etc.”

Nós não nascemos já com uma identidade pronta, aliás segundo o filósofo Henri Bergson construímos o nosso “eu” todos os dias, ou seja, desde a mais tenra infância vamos nos construindo como indivíduos únicos, esse processo nunca acaba, iremos construir e reconstruir nossas identidades ao longo da vida. O indivíduo nunca a constrói sozinho: depende tanto dos julgamentos dos outros como das suas próprias orientações e autodefinições. A identidade é um produto de sucessivas socializações. (DUBAR, Claude. A Socialização Construção das Identidades Sociais. Porto Editora. Lisboa. Portugal. 1997)

E, justamente porque dependemos da interação e da constante socialização para nos construirmos é importante  contexto no qual estamos inseridos, nesse sentido cabe aqui iniciarmos ma discussão acerca da sociedade em que vivemos, da sociedade do consumo. As identidades acompanham as sociedades no que concerne a compreensão de que ambas estão em processo constante de mudança e adequação, se as instituições sociais responsáveis pela formação dos indivíduos, dentre elas podemos citar a escola, produziram ou ajudaram a produzir discursos, é importante destacarmos que os sujeitos concretos não cumprem literalmente aquilo que é prescrito através dos discursos, fala-se sobre o respeito às “diferenças”, a diversidade e o direito de todos à cidadania, o que aparenta, de fato, que qualquer um pode apossar-se desse discurso, que não só é aprazível, humanitário, solidário etc., mas ao mesmo tempo visivelmente muito fácil de casar com o discurso neoliberal da atual sociedade, na qual há um mercado para tudo, e, portanto, um espaço “para todos”. Entretanto pouco se sabe, e pouco se deseja saber, sobre as relações de poder que estão na base da dialética da exclusão; Nas últimas décadas houve um aumento significativo do consumo em todo mundo, provocado pelo crescimento populacional e, principalmente, pela acumulação de capital das empresas que puderam se expandir e oferecer os mais variados produtos, conjuntamente com os anúncios publicitários que propõe, induzem e manipulam para o consumo a todo o momento. Chamamos de consumo o ato da sociedade de adquirir aquilo que é necessário a sua subsistência e também aquilo que não é indispensável, ao ato do consumo de produtos supérfluos, denominamos consumismo.

A “coisificação” dos indivíduos, a valorização do corpo, da estética, em detrimento de outros valores e qualidades tão importantes nos seres humanos é evidente na sociedade em que vivemos, justamente por haver a necessidade de  se “criar” sempre novos consumidores, há um mercado para crianças, mulheres em várias fases da vida, adolescentes, gays etc., é preciso estimular o consumo e não deixar ninguém de fora do círculo.

Para suprir as sociedades de consumo, o homem interfere profundamente no meio ambiente, pois tudo que o homem desenvolve vem da natureza, aqui nesse contexto é o palco das realizações humanas. Através da força de trabalho o homem transforma a primeira natureza (intacta) em segunda natureza (transformada). É a natureza que fornece todas matérias primas (solo, água, clima energia minérios etc) necessárias às indústrias. 

O modelo de desenvolvimento capitalista, baseado em inovações tecnológicas, em busca do lucro e no aumento contínuo dos níveis de consumo por a necessidade em se criar novos mercados consumidores constantemente, precisa ser substituído por outro, que leve em consideração os limites suportáveis na natureza e da própria vida. 

          Os problemas ambientais diferem em relação aos países ricos e pobres, a prova disso é que 20% da população é responsável pela geração da maior parte da poluição e esse percentual é similar ao percentual da população que possui as riquezas do mundo. Enquanto essa população vive em altos níveis de consumo, outra grande maioria, cerca de 2,4 bilhões de pessoas, não possui saneamento, 1 bilhão não tem acesso a água potável, 1,1 bilhão não tem habitação adequada e 1 bilhão de crianças estão subnutridas. 

Oliveira e Costa (2005) Citam Frei Betto:
“A publicidade sabe muito bem que, quanto mais culta uma pessoa – cultura é tido aquilo que engrandece o nosso espírito e a nossa consciência – menos consumista ela tende a ser. Um pesqueno exemplo: quem gosta de música clássica certamente não contribuí para enriquecer a indústria fonográfica.O que garante fortunas qe rolam nesta indústria é, a cada dia, o consumidor experimentar uma nova banda, um metaleiro diferente; porque, se não for assim, se ele gostar de meia dúzia de compositores classícos, o consumo será menor, pois comprará apenas as novas interpretações dos compositores da sua preferência.” (Betto, 2004)

Ou seja, como afirmam estes autores, transformando  o alvo, o indivíduo, neste caso o consumidor, em passivo, dócil, apenas um espectador que não sente-se como sujeito da história, e muiot menos tem impulsos questionadores ocorre um processo de inculcação de valores, idéias e hábitos, pois em uma sociedade de massa, é preciso estar sempre na moda, ser escravo das tendências.Não se deve pensar, julgar ou avaliar de forma independente o que a mídia nos oferece, basta consumir e se divertir.

Como vimos anteriormente, ideologias são conjuntos de idéias que prescrevem normas, representam a realidade, generalizam o particular, têm um discurso lacunar, além de inverter a realidade, naturalizar e ocultar os fatos.E, prescrever normas é elaborar, repetir e manter a ordem dita “normal” das coisas, e, sendo assim o papel da mídia é justamente esse, prescrever novas e representar a realidade de forma que nosa seja oferecida uma interpretação parcial dos fatos, fica claro que quem controla os meios de comunicação faz parte das estruturas de poder nas sociedades. Nesse sentido, a estrutura não só da nossa sociedade ,como de outras se reflete na linguagem da mídia de forma autoritária, elitista, desprezando a cultura popular e voltando-se para a cosntrução de cidadão meramente consumidores, além de promover a apatia política e o descompromisso com os reais problemas do povo de acordo com Oliveira e Costa (2005).


Identidades nacionais - étnico-raciais e diferenças culturais


Quando falamos em “identidade” ou identidades” devemos sempre estar bastante atentos (as), pois trata-se de um tema que envolve comportamentos, sentimentos, o modo de ser, de viver e de amar de cada um, e tudo isso é “carregado” de uma história de vida, ocorrida dentro de um determinado contexto social, com laços familiares e afetivos específicos, recheada de crenças e valores peculiares.
A identidade de um indivíduo é única, “identidade designa algo como uma compreensão de quem somos, nossas características definitórias fundamentais como seres humanos.” TAYLOR, Charles. “A política do reconhecimento”. In. Argumentos filosóficos. São Paulo: Loyola, 2000, p. 241.
 Aprenderemos aqui um pouco mais sobre essas características que nos definem, em primeiro lugar vamos falar sobre identidade nacional. A caracterização da identidade nacional uni-se, primeiramente à existência da identidade cultural, bem, já sabemos o que é cultura, mas vale lembrar que a cultura é nossa herança social, nesse sentido, como brasileiros e brasileiras que somos, sofremos influências dos portugueses, negros, índios e imigrantes de vários países como os italianos. Temos uma identidade cultural forte, baseada em uma língua comum, na miscigenação, comidas típicas, a arte barroca, a natureza exuberante, nossa música etc.
Para que exista uma identidade nacional é necessário que o  povo possua a consciência de nação, a nação é uma construção coletiva a partir de uma identidade nacional. Desta forma, é imperioso que, além da identidade cultural, exista um projeto nacional de desenvolvimento, a compreensão de identidade nacional também envolve aspectos geográficos, jurídicos ou diplomáticos. Temos exemplos de países que possuem uma forte identidade cultural, como o Brasil, e outros detentores de uma elevada consciência de nação, apesar de não ter um grau elevado de identidade cultural.
           Assim, podemos definir identidade nacional como o somatório de valores culturais resultante da vivência, que, apesar de incluir as diferenças regionais e peculiaridades grupais, é passível de caracterização por um traço que permita a definição de um perfil diversificado, contudo hegemônico baseado em habitante (homem), território, instituições, língua, costumes, religiões e história comuns.

            A identidade brasileira é proveniente do nascimento da nação, representado pelo idioma, etnias, bem como através do solo, clima, vegetação e relevo. Nossa base cultural foi constituída pelo amálgama[1] do processo de integração de portugueses, negros, índios e imigrantes de vários países do mundo.

Uma etnia  ou um  grupo étnico é uma comunidade humana definida por afinidades linguísticas e culturais. Estas comunidades geralmente reivindicam para si uma estrutura socialpolítica e um território.A palavra etnia é usada muitas vezes de forma equivocada como um sinônimo para grupo minoritário ou como um eufemismo para  raça, embora não possam ser considerados como iguais.A diferença reside no fato de que etnia também compreende os fatores culturais, como a nacionalidade, a afiliação tribal, a Religião, a língua e as tradições, enquanto raça compreende apenas os fatores morfológicos, como cor de pele, constituição física, estatura, traço facial, etc.(Fonte: Wikipédia)

  Segundo o antropólogo norueguês Fredrik Barth (1984), a identidade étnica se expressa pelo ato de um grupo poder contar "com membros que se identificam a si mesmos e são identificados pelos outros". Desse modo a construção da identidade étnica tem na auto-afirmação sua grande base fundadora. Ainda que as análises culturais sejam essenciais, a etnicidade não pode ser genelarizada por ações da cultura. Barth acentua que o fato de compartilhar cultura comum pode ser visto como conseqüência não como fato causa dos grupos étnicos e suas identidades.
“A reação diante da alteridade faz parte da natureza das sociedades. Em todas as épo­cas, sociedades reagiram de forma específica diante do contato com uma cultura diversa à sua, ou seja com pessoas com costumes, crenças, valores, vestimentas , enfim com o modo de ser, de viver, de sentir distinto ao seu. Um fenômeno comum, porém, caracteriza todas as sociedades humanas: o estranhamento, a que chamamos etnocentrismo. Diante de costumes de outros povos, a avaliação de formas de vida distintas se deu a partir dos elementos das suas próprias culturas.”(Curso de especialização em gênero e sexualidade/Organizadores: Carrara,Sérgio…[et al]. – Rio de Janeiro: CEPESC;Brasília, DF : Secretaria especial de políticas públicas para as mulheres, 2010.)
“Todas as culturas definem o que as pessoas devem usar como vestimenta e adorno. Muitas vezes, a nossa, cultura ocidental, se negou a ver nas pinturas corporais ou em adornos e adereços dos grupos indígenas sul-americanos os correspondentes às rou­pas impostas por ela, e criou a idéia de que o “índio/a” andaria pelado/a, avaliando tal comportamento como “errado”.[1]” (Curso de especialização em gênero e sexualidade/Organizadores: Carrara,Sérgio…[et al]. – Rio de Janeiro: CEPESC;Brasília, DF : Secretaria especial de políticas públicas para as mulheres, 2010.)


[1] Nada mais equivocado do que falar do/a “índio/a” de forma indiscriminada: o et­nocentrismo não permite ver, por um lado, que o/a indígena não existe como algo genérico, mas nas manifestações específicas de cada cultura – Bororo, Nhambiqua­ra, Guarani, Cinta-Larga, Pataxó etc. E por outro, que nem anda “pelado/a” nem está mais próximo/a da natureza, pela simples ausência de vestimentas ocidentais. Os Zoé, índios Tupi do rio Cuminapanema (PA), por exemplo, utilizam botoques labiais; os homens, estojos penianos e as mulheres, tiaras e outros adornos, sem os quais jamais apareceriam em público. São elementos que os/as diferenciam definiti­vamente dos animais e que marcam sua vida em sociedade, da mesma forma que o uso de roupas na nossa cultura. (Curso de especialização em gênero e sexualidade/Organizadores: Carrara,Sérgio…[et al]. – Rio de Janeiro: CEPESC;Brasília, DF : Secretaria especial de políticas públicas para as mulheres, 2010.)



[1] Mistura de elementos diversos que contribuuem para formar um “todo”. Dicionário Aurélio.

Grupos sociais e construção de identidades Conceituando o termo “Identidade”


Ao pensarmos “Identidade” somos remetidos quase que imediatamente ao RG, nosso registro civil, que possuí um número para nos identificar e uma série de outras informações que nos tornam “reconhecíveis” para o “sistema”, aos olhos da lei, para questões burocráticas etc. Nele constam nossa naturalidade indicando em que estado nascemos, nacionalidade, indicando nosso país, filiação e data de nascimento; contudo o termo “Identidade” tem um significado muito mais complexo e abrangente, afinal não podemos ser resumidos apenas  em um número. Para Jurandir Freire Costa (1989), “(…)a identidade é tudo que se vivencia (sente, enuncia) como sendo eu, por ocasião àquilo que se percebe ou anuncia como não-eu (aquilo que é meu; aquilo que é outro) (…) “a identidade não é uma experiência uniforme, pois é formulada por sistemas de representações diversos. Cada um destes sistemas corresponde ao modo como o sujeito se atrela ao universo sócio-cultural. Existe assim, uma identidade social, étnica, religiosa, de classe; profissional, etc.”

Nós não nascemos já com uma identidade pronta, aliás segundo o filósofo Henri Bergson construímos o nosso “eu” todos os dias, ou seja, desde a mais tenra infância vamos nos construindo como indivíduos únicos, esse processo nunca acaba, iremos construir e reconstruir nossas identidades ao longo da vida. O indivíduo nunca a constrói sozinho: depende tanto dos julgamentos dos outros como das suas próprias orientações e autodefinições. A identidade é um produto de sucessivas socializações. (DUBAR, Claude. A Socialização Construção das Identidades Sociais. Porto Editora. Lisboa. Portugal. 1997)

 A “sociedade humana” é formada por pessoas que têm necessidade uma das outras para continuarem a espécie, buscarem seus objetivos, e sobreviverem. É uma imensa corrente que permite que o ser humano nasça, cresça e viva. O homem é um animal social, pois tende a se agrupar através de propósitos, gostos, preocupações e costumes em comum com outros indivíduos, e assim formamos os chamados grupos sociais que, para a sociologia, aparecem enquanto um sistema de relações e de interações recorrentes entre pessoas.

            Uma tendência natural do ser humano é a de procurar uma identificação em alguém ou em alguma coisa, ou seja o sentimento de “pertencimento” ou “identificação”. Quando uma pessoa se identifica com outra e passa a estabelecer um vínculo social com ela, ocorre uma associação humana. Com o estabelecimento de muitas associações humanas, o ser humano passou a organizar os grupos sociais.
Grupo social é uma forma básica de associação humana que se considera como um todo, com tradições morais e materiais. Para que exista um grupo social é necessário que haja uma interação entre seus participantes. Os grupos sociais possuem uma forma de organização, mesmo que subjetiva, se diferem quanto ao grau de contato de seus membros, e pode ser definido como uma reunião de pessoas, interagindo umas com as outras, e por isso capazes de ação conjunta, visando atingir um objetivo comum compartilham os mesmos interesses, portanto partilham idéias.
Principais grupos sociais:
·                     Grupo familiar – família;
·                     Grupo vicinal – vizinhança;
·                     Grupo educativo – escola, universidade, curso etc.;
·                     Grupo religioso – igreja;
·                     Grupo de lazer – clube,etc;
·                     Grupo profissional – empresa, etc;
·                     Grupo político – Estado, partidos políticos;

Características de um grupo social:

Pluralidade de indivíduos – há sempre mais de um indivíduo no grupo; Interação social – os indivíduos comunicam-se uns com os outros; Organização – todo grupo, para funcionar bem precisa de uma ordem interna; Objetividade e exterioridade – quando uma pessoa entra no grupo ele já existe, quando sai ele permanece existindo; Objetivo comum – união do grupo para atingir os mesmos objetivos; Consciência de grupo ou pertencimento (sentimento de “nós”) – compartilham modos de agir, pensamentos, idéias, etc. Continuidade – é necessário ter uma certa duração. Não pode aparecer e desaparecer com facilidade.
Classificação dos grupos sociais:
·                     Grupos primários – predominam os contatos primários, mais pessoais e diretos, como a família, os vizinhos, etc.
·                     Grupos secundários – são mais complexos, como as igrejas e o estado, em que predominam os contatos secundários, neste caso, realizam-se de forma pessoal e direta, mas sem intimidade ou de maneira indireta como emails, telegramas, telefonemas, etc.
·                     Grupos intermediários – são aqueles que se alternam e se complementam as duas formas de contatos sociais (primários e secundários). Ex: escola.
Outras formas de agrupamentos sociais são:
Agregados sociais: é uma reunião de pessoas que mantém entre si o mínimo de comunicação e de relações sociais. Podemos destacar a multidão, o público, e a massa.
Características da multidão:
·                     FALTA DE ORGANIZAÇÃO: não possui um conjunto de normas.
·                     ANONIMATO: não importa quem faz parte da multidão, a identidade.
·                     OBJETIVOS COMUNS: os interesses, as emoções, e os atos têm o mesmo sentido.
·                     INDIFERENCIAÇÃO: todos são iguais perante a multidão, não há espaço para manifestar as diferenças individuais.
·                     PROXIMIDADE FÍSICA: os componentes da multidão ficam em contato direto e temporário uns dos outros.
Público: é um agrupamento de indivíduos que seguem os mesmos estímulos. Não se baseia no contato físico, mas na comunicação recebida através dos diversos meios de comunicação. Ex: indivíduos assistindo a um jogo – todos que estão juntos recebem o mesmo estímulo - a reunião é ocasional.
Opinião pública: modo de pensar, agir, e sentir de um público.
Massa: é formada por indivíduos que recebem opiniões formadas através dos meios de comunicação de massa.
Diferença entre público e massa: Público – recebe a opinião e pode opinar.
Massa – predomina a comunicação transmitida pelos meios de comunicação de massa.

Toda a sociedade tem uma série de forças que mantém os grupos sociais. As principais são a liderança, as normas e sanções sociais, os valores sociais e os símbolos sociais.
Liderança: é a ação exercida por um líder, aquele que dirige o grupo. A dois tipos: Liderança institucional - autoridade varia de acordo com a posição social ou do cargo que o indivíduo ocupa no grupo. Ex: Diretor de uma fabrica. Liderança pessoal – autoridade varia das qualidades pessoais do líder (inteligência, poder de comunicação, carisma, atitudes). Ex: Getulio Vargas, Adolf Hitler, etc.
Normas sociais: regras de conduta de uma sociedade, que controlam e orientam o comportamento das pessoas. Indica o que é “permitido” e o que é “proibido”.
Sanção social: é uma recompensa ou uma punição que o grupo determina para os indivíduos de acordo com o seu comportamento social. É aprovativa quando vem sob a forma de aceitação, aplausos, honras, promoções. É reprovativa quando vem sob a forma de punição imposta ao indivíduo que desobedece a alguma norma social. Ex: insulto, zombaria, prisão, pena de morte.
Valores sociais: variam no espaço e no tempo, em função de cada época, geração e cada sociedade, ou seja são temporais, podemos dizer que valores sociais podem ser análogos a moral, por exemplo, cada período da história tem um conjunto de valores sociais que formam a moral vigente da época. Ex: o que é bonito para os jovens nem sempre é aceito pelos mais velhos. As roupas, os cabelos, modo de dançar, as idéias, o comportamento, enfim, entram em choque com os valores sociais já estabelecidos e cultivados por seus pais, criando uma certa tensão entre jovens e adultos.
Símbolos:  algo cujo valor e significado lhe é atribuído pelas pessoas que o utilizam. Ex: a aliança que simboliza a união de casais.A linguagem é um conjunto de símbolos. Podemos dizer que todo o comportamento humano é simbólico e todo o comportamento simbólico é humano, já que a utilização de símbolos é exclusiva do homem.
          Sistema de status e papéis: A posição ocupada por um indivíduo no grupo social denomina-se status social.
Status social: implica direitos, deveres, prestígio, e até privilégios, conforme o valor social conferido a cada posição. Dependendo de como o indivíduo obtém seu status pode ser classificado como:
Status atribuído: não é escolhido pelo indivíduo, e não depende de si próprio. Ex; irmão caçula, filho de operário, irmã mais velha.
Status adquirido: depende das qualidades pessoais do indivíduo, de sua capacidade, e habilidade. São status adquiridos através de anos de luta e competição, supõe a vitória sobre os rivais. A pessoa demonstra superioridade. Ex: classe alta.
Papel social: são comportamentos que o grupo social espera de qualquer pessoa que ocupe determinado status social.Corresponde às tarefas e obrigações atribuídas de acordo com o status do indivíduo.

Estrutura e organização social
Estrutura social: é a totalidade dos status existentes num determinado grupo social ou numa sociedade.
Organização social: é o conjunto de todas as ações que são realizadas quando os membros de um grupo desempenham seus papeis sociais.
Assim, enquanto a estrutura social da a idéia de algo estático, que simplesmente existe, a organização social dá a idéia de uma coisa que acontece.A estrutura social se refere a um grupo de partes – ex: reunião de indivíduos – enquanto a organização social se refere às relações que se estabelecem entre essas partes.Quanto mais complexa a sociedade, mais complexa e maior será a sua estrutura e organização social.Tanto a estrutura quanto a organização social não permanecem sempre iguais. Elas podem passar, e passam com freqüência, por um processo de mudança social.

Imaginação sociológica


A imaginação sociológica nos permite ver que muitos eventos que parecem dizer respeito somente ao indivíduo, na verdade refletem questões muito mais amplas. O divórcio, por exemplo pode ser um processo muito difícil para alguém que passa por ele – o que Mills chama de “problema pessoal” – mas o divórcio, assinala Mills, é também um problema público, numa sociedade como a atual Grã-Bretanha, onde mais de um terço de todos os casamentos termina dentro de dez anos. O desemprego, para usar outro exemplo, pode ser uma tragédia pessoal, para alguém despedido de um emprego e inapto para encontrar outro. Mesmo assim, isso vai bem além de uma questão geradora de uma aflição pessoal, se considerarmos que milhões de pessoas numa sociedade estão na mesma situação: é um assunto público expressando amplas tendências sociais.  (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).

Embora sejamos influenciados pelos contextos sociais em que nos encontramos, nenhum de nós tem o comportamento simplesmente modelado por esses contextos, possuímos, criamos, construímos nossa própria individualidade. É trabalho da sociologia investigar as conexões entre o que a sociedade faz de nós e o que fazemos de nós mesmos. As nossas atividades tanto estruturam, modelam, como ao mesmo tempo são estruturadas por esse mundo social. O conceito de estrutura social é muito importante na Sociologia, ele se refere ao fato de que os contextos sociais de nossas vidas não se consistem apenas em conjuntos esporádicos de eventos ou ações, são constituídos ou uniformizados de formas distintas. Há regularidades nos modos como nos comportamos e nos relacionamentos que temos uns com os outros. Entretando a estrutura social não é como uma estrutura física, como um edifício que existe independentemente das ações humanas. As sociedades humanas estão sempre em processo de estruturação. Elas são reestruturadas a todo momento pelos próprios blocos de construção  que as compõe, os seres humanos. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).
A sociologia tem muitas implicações práticas para nossas vidas, primeiramente a Sociologia nos permite ver o mundo social a partir de outros pontos de vista que não o nosso. Se compreendemos  precisamente como os outros vivem, também adquirimos melhor entendimento de quais são os seus problemas. Políticas práticas que não são baseadas numa consciência bem informada dos modos de vida das pessoas afetadas por elas tem poucas chances de sucesso. Por exemplo, uma assistente social branca, operando numa comunidade predominantemente negra, não ganhará a confiança de seus membros sem desenvolver uma sensibilidade às diferenças na experiência social que separam brancos e negros. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).
“A sociologia pode nos fornecer auto-esclarecimento, uma maior autocompreensão. Quanto mais sabemos porque agimos como agimos e como se dá o completo funcionamento de nossa sociedade provavelmente seremos mais capazes de influenciar nossos próprios futuros. Não deveríamos ver a Sociologia como uma ciência que auxilia somente os que fazem políticas, ou seja, grupos poderosos, com o propósito de tomarem decisões informadas. Não se pode supor que os que estão no poder sempre levarão em consideração, em suas políticas os interesses dos menos poderosos ou menos privilegiados. Grupos de auto-esclarecimento podem frequentemente se beneficiar da pesquisa sociológica e responder de forma efetiva as políticas governamentais ou formar iniciativas políticas próprias”. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).

Quando começamos a estudar Sociologia pela primeira vez,  alguns e algumas de nós ficam confusos com a diversidade de abordagens que encontramos e muitas vezes questionamos de que nos serviria tais abordagens e conhecimentos. A Sociologia nunca foi uma disciplina em que há um conjunto de idéias que todos aceitam como válidas. Os sociólogos frequentemente discutem entre si sobre como abordar o estudo do comportamento humano e sobre como os resultados das pesquisas podem ser melhor interpretados. Por que deveria ser assim? A reposta está ligada a própria natureza da área. A Sociologia diz respeito as nossas vidas e ao nosso próprio comportamento, e estudar nós mesmos é o mais complexo e árduo trabalho que podemos realizar, afinal somos indíviduos, e como indivíduos possuímos características individuais, peculiares. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005). Os dedos das mãos fazem parte de uma mesma “estrutura” certo? Mas ele são iguais?
Em uma coisa todos os sociólogos concordam, que a Sociologia é uma disicplina na qual deixamos de lado nossa visão pessoal  do mundo para olhar mais cuidadosamente para as influências que moldam nossas vidas e as dos outros (as) .A Sociologia não é apenas um campo intelectual abstrato, mas tem implicações práticas mais importantes para as vidas das pessoas. Aprender a tornar-se um sociólogo não deveria ser um esforço acadêmico maçante, a melhor forma de se evitar isso é abordar o assunto pesquisado de um modo imaginativo e relacionar idéias e achados sociológicos a situações de nossas vidas. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).
Uma forma de fazer isso é estar consciente das diferenças entre os modos de vida, que nós, nas sociedades modernas, tomamos por normais e aqueles de outros grupos humanos. Ainda que os seres humanos tenham muito em comum, há muitas variações entre diferentes sociedades e culturas. A prática da sociologia envolve a habilidade de pensar imaginativamente e afastar-se de idéias preconcebidas sobre a vida social.A Sociologia nos fornece os meios de aumentar nossas sensibilidades culturais, permitindo que as políticas se baseiem em uma consciência de valores culturais divergentes. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).
Para compreendermos a sociologia temos de estar conscientes de nós próprios como seres humanos entre outros seres humanos.Ao procurarmos ampliar a nossa compreensão dos processos humanos e sociais e adquirir uma base crescente de conhecimentos mais sólidos acerca desses processos, isto já constitui uma das tarefas fundamentais da Sociologia. Também neste âmbito as pessoas verificam que estão sujeitas a forças que as coagem. “Procuram compreendê-las para que com a ajuda desse conhecimento, possam adquirir um certo controle sobre o discurso cego dessas forças compulsivas, cujos efeitos são muitas vezes destruidores e destituídos de qualquer significado. O objetivo é orientar essas forças de modo a encontrar-lhes siginificados, tornando-as menos destruidoras de vidas e de recursos. Daqui decorre ser fundamental para o ensino da Sociologia e para sua prática de investigação, a aquisição de uma compreensão geral dessas forças e um aumento de conhecimentos seguros das mesmas, através de campos especializados de investigação.”

Continuando...


A imaginação sociológica nos permite ver que muitos eventos que parecem dizer respeito somente ao indivíduo, na verdade refletem questões muito mais amplas. O divórcio, por exemplo pode ser um processo muito difícil para alguém que passa por ele – o que Mills chama de “problema pessoal” – mas o divórcio, assinala Mills, é também um problema público, numa sociedade como a atual Grã-Bretanha, onde mais de um terço de todos os casamentos termina dentro de dez anos. O desemprego, para usar outro exemplo, pode ser uma tragédia pessoal, para alguém despedido de um emprego e inapto para encontrar outro. Mesmo assim, isso vai bem além de uma questão geradora de uma aflição pessoal, se considerarmos que milhões de pessoas numa sociedade estão na mesma situação: é um assunto público expressando amplas tendências sociais.”  (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).

Embora sejamos influenciados pelos contextos sociais em que nos encontramos, nenhum de nós tem o comportamento simplesmente modelado por esses contextos, possuímos, criamos, construímos nossa própria individualidade. É trabalho da sociologia investigar as conexões entre o que a sociedade faz de nós e o que fazemos de nós mesmos. As nossas atividades tanto estruturam, modelam, como ao mesmo tempo são estruturadas por esse mundo social. O conceito de estrutura social é muito importante na Sociologia, ele se refere ao fato de que os contextos sociais de nossas vidas não se consistem apenas em conjuntos esporádicos de eventos ou ações, são constituídos ou uniformizados de formas distintas. Há regularidades nos modos como nos comportamos e nos relacionamentos que temos uns com os outros. Entretando a estrutura social não é como uma estrutura física, como um edifício que existe independentemente das ações humanas. As sociedades humanas estão sempre em processo de estruturação. Elas são reestruturadas a todo momento pelos próprios blocos de construção  que as compõe, os seres humanos. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).
A sociologia tem muitas implicações práticas para nossas vidas, primeiramente a Sociologia nos permite ver o mundo social a partir de outros pontos de vista que não o nosso. Se compreendemos  precisamente como os outros vivem, também adquirimos melhor entendimento de quais são os seus problemas. Políticas práticas que não são baseadas numa consciência bem informada dos modos de vida das pessoas afetadas por elas tem poucas chances de sucesso. Por exemplo, uma assistente social branca, operando numa comunidade predominantemente negra, não ganhará a confiança de seus membros sem desenvolver uma sensibilidade às diferenças na experiência social que separam brancos e negros. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).

“A sociologia pode nos fornecer auto-esclarecimento, uma maior autocompreensão. Quanto mais sabemos porque agimos como agimos e como se dá o completo funcionamento de nossa sociedade provavelmente seremos mais capazes de influenciar nossos próprios futuros. Não deveríamos ver a Sociologia como uma ciência que auxilia somente os que fazem políticas, ou seja, grupos poderosos, com o propósito de tomarem decisões informadas. Não se pode supor que os que estão no poder sempre levarão em consideração, em suas políticas os interesses dos menos poderosos ou menos privilegiados. Grupos de auto-esclarecimento podem frequentemente se beneficiar da pesquisa sociológica e responder de forma efetiva as políticas governamentais ou formar iniciativas políticas próprias”. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).

Quando começamos a estudar Sociologia pela primeira vez,  alguns e algumas de nós ficam confusos com a diversidade de abordagens que encontramos e muitas vezes questionamos de que nos serviria tais abordagens e conhecimentos. A Sociologia nunca foi uma disciplina em que há um conjunto de idéias que todos aceitam como válidas. Os sociólogos frequentemente discutem entre si sobre como abordar o estudo do comportamento humano e sobre como os resultados das pesquisas podem ser melhor interpretados. Por que deveria ser assim? A reposta está ligada a própria natureza da área. A Sociologia diz respeito as nossas vidas e ao nosso próprio comportamento, e estudar nós mesmos é o mais complexo e árduo trabalho que podemos realizar, afinal somos indíviduos, e como indivíduos possuímos características individuais, peculiares. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005). Os dedos das mãos fazem parte de uma mesma “estrutura” certo? Mas ele são iguais?

Em uma coisa todos os sociólogos concordam, que a Sociologia é uma disicplina na qual deixamos de lado nossa visão pessoal  do mundo para olhar mais cuidadosamente para as influências que moldam nossas vidas e as dos outros (as) .A Sociologia não é apenas um campo intelectual abstrato, mas tem implicações práticas mais importantes para as vidas das pessoas. Aprender a tornar-se um sociólogo não deveria ser um esforço acadêmico maçante, a melhor forma de se evitar isso é abordar o assunto pesquisado de um modo imaginativo e relacionar idéias e achados sociológicos a situações de nossas vidas. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).

Uma forma de fazer isso é estar consciente das diferenças entre os modos de vida, que nós, nas sociedades modernas, tomamos por normais e aqueles de outros grupos humanos. Ainda que os seres humanos tenham muito em comum, há muitas variações entre diferentes sociedades e culturas. A prática da sociologia envolve a habilidade de pensar imaginativamente e afastar-se de idéias preconcebidas sobre a vida social.A Sociologia nos fornece os meios de aumentar nossas sensibilidades culturais, permitindo que as políticas se baseiem em uma consciência de valores culturais divergentes. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).


Para compreendermos a sociologia temos de estar conscientes de nós próprios como seres humanos entre outros seres humanos.Ao procurarmos ampliar a nossa compreensão dos processos humanos e sociais e adquirir uma base crescente de conhecimentos mais sólidos acerca desses processos, isto já constitui uma das tarefas fundamentais da Sociologia. Também neste âmbito as pessoas verificam que estão sujeitas a forças que as coagem. “Procuram compreendê-las para que com a ajuda desse conhecimento, possam adquirir um certo controle sobre o discurso cego dessas forças compulsivas, cujos efeitos são muitas vezes destruidores e destituídos de qualquer significado. O objetivo é orientar essas forças de modo a encontrar-lhes siginificados, tornando-as menos destruidoras de vidas e de recursos. Daqui decorre ser fundamental para o ensino da Sociologia e para sua prática de investigação, a aquisição de uma compreensão geral dessas forças e um aumento de conhecimentos seguros das mesmas, através de campos especializados de investigação.”

Desenvolvendo uma perspectiva sociológica


Aprender a pensar sociologicamente – olhando – em outras palavras, de forma mais ampla – significa cultivar a imaginação. Estudar Sociologia não pode ser apenas um processo rotineiro de adquirir conhecimento. Um sociólogo é alguém que é capaz de se libertar das imediatidades das circunstâncias pessoais e apresentar as coisas num contexto mais amplo. O trabalho sociológico daquilo que o autor norte-americano C. Wright Mills, numa frase famosa chamou de imaginação sociológica. ( Mills, 1970)  (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).

A imaginação sociológica, acima de tudo, exige de nós que pensemos fora das rotinas familiares de nossas vidas cotidianas a fim de que as observemos de modo renovado, livre dos juízos de valor e da influência do senso comum.Giddens[1] em seu livro Sociologia, usa o exemplo do café, mas podemos aqui usar uma série de outros exemplos para demonstrar como “funciona” a imaginação sociológica. Ao usar o café como exemplo, Giddens ressalta que o café possuí valor simbólico como parte de nossas atividades sociais diárias; podemos então usar a cerveja como exemplo, embora não muito feliz, geralmente ao fim do expediente de trabalho ou aos finais de semana, homens e mulheres se reunem para “tomar uma cerveja para relaxar” usando a bebida como subterfúgio, mas neste ato aparentemente simples, inofensivo, corriqueiro, existe uma série de questões, como por exemplo o alcoolismo, a lei seca, o “não saber parar”, a produção desta bebida, o consumo por menores de idade, iniciado geralmente em casa, sua história, a publicidade etc.
Um outro exemplo é o chá, o que poderíamos dizer, a partir de uma perspectiva sociológica acerca do consumo desta bebida, deste ritual associado geralmente a britânicos, a pontualidade e a reuniões de mulheres (chá de bebê, chá de panela)?

Para começar, muito embora este “ritual”, esta tradição do consumo de chá esteja associada aos bitânicos, na verdade a história do chá  remonta à antiguidade no território chinês. Entre muitas lendas que narram o “surgimento” desta bebida, a mais famosa relata que suas raízes provém de 5000 anos atrás, ao governo do Imperador Sheng Nong ( Ou Nung, dependendo da fonte), popularmente conhecido como o Curandeiro Divino. Tentando solucionar a constante incidência de surtos epidêmicos em seus domínios, ele criou uma lei que obrigava o povo a ferver a água antes de ingeri-la.Diz a lenda que repousando sob uma árvore, o soberano deixou sua xícara de água esfriando, e logo percebeu que algumas folhas haviam caído sobre o líquido, conferindo-lhe um tom castanho. Ao experimentar a bebida, descobriu que ela possuía um sabor agradável, disseminando o consumo desta bebida entre os seus súditos; a China desempenha um papel crucial na disseminação do consumo do chá pelo mundo.

Viu só? Iniciamos uma linha de pensamento acerca do surgimento do ritual de consumo do chá, e descobrimos que esta bebida não é proveniente da Inglaterra e nem está associada a sofisticação e a pontualidade britânica..
Em princípios do século IX alguns monges provenientes do Japão levaram consigo algumas sementes, iniciando assim o cultivo do hábito que se tornaria tradição neste país. Tanto na China quanto no Japão, o chá conquistou um desenvolvimento sem igual, em todos os ambientes, até mesmo os artísticos e os religiosos, campo no qual passou a integrar um cerimonial sagrado.O desembarque do chá na Europa se deu gradativamente através da Ásia Central e da Rússia, logo após dos portugueses, que difundiram o uso do chá por toda a Europa, a partir do fim do século XV. Os navios de Portugal transportavam a mercadoria até os portos de Lisboa, sendo daí conduzida para a Holanda e a França.

O aventureiro Marco Pólo, ao registrar suas famosas viagens, teria incluído referências ao chá em suas narrativas; do século XIX em diante, o hábito de consumir o chá se disseminou velozmente na Inglaterra, tornando-se tradição. A partir das terras inglesas esta bebida se propagou rapidamente aos Estados Unidos, à Austrália e ao Canadá, até se tornar popular em todo o Planeta. Enquanto isso, no Japão, o preparo do chá tornou-se uma arte, bem como o seu consumo.

Dando prosseguimento a nossa análise acerca do chá, agora partimos para uma perspectiva sociológica direcionada a questões políticas e econômicas, neste sentido devemos lembrar do ano de 1773, quando uma certa lei foi criada, estudamos isso na disciplina de história, lembram?
Esta lei aumentou consideravelmente a aquisição de impostos sobre a comercialização do chá, que era muito consumido nas colônias. Também foi instituída a exclusividade de sua venda (o monopólio comercial) à Companhia das Índias Orientais. Foi uma medida inglesa que impediu os colonos de participar do comércio de Chá, que era bastante lucrativo, o que favorecia os comerciantes ingleses, dando-lhes o monopólio do mercado desse produto nas treze colônias[2], seu nome: Lei do chá. A resposta americana teve lugar em Boston, no episódio conhecido como Festa do Chá, quando americanos vestidos como índios saquearam navios ingleses, jogando ao mar sua carga de chá.
Agora que sabemos um pouco mais sobre a história do chá podemos concluir que o chá não é simplesmente uma  bebida que pode ser consumida quente ou gelada, possuí sobretudo, valor simbólico em muitas culturas como a inglesa, a chinesa e principalmente a japonesa, no Japão, o preparo do chá tornou-se uma arte, bem como o seu consumo, os participantes da cerimônia do chá devem sempre esperar em um recinto, até se desconectarem das preocupações do dia-a-dia. Se pensarmos bem, em todas as sociedades, em todos os tempos, comer e beber são ações que produzem oportunidades para interação social e para a encenação de rituais, ou seja um ótimo tema para estudos sociológicos.

Outro ponto, um indivíduo que bebe chá está envolvido em uma complicada rede de relações sociais, econômicas e culturais que se estendem pelo mundo desde os tempos antigos. O chá é um produto que conecta as pessoas, o rico, o pobre, todos e todas podem consumir chá hoje em dia, inclusive tornou-se mais acessível do que o café, mas nem sempre foi assim. O entusiasmo dos britânicos pelo chá é algo que ainda hoje se mantém, no entanto, nos primeiros anos de consumo, esta bebida não estava ao alcance de todos porque tinha um imposto tão alto que, em 1689 as vendas de chá quase pararam, ocasionando contrabando de chá em larga escala que, infelizmente, adulterava muitas vezes as folhas de chá, adicionando-lhes folhas de outras plantas. Este negócio de mercado negro chegou a tal proporções que, em 1784, o primeiro-ministro William Pitt colocou um ponto final na situação ao reduzir o imposto de 119% para 12.5%. De um dia para o outro, o chá tornou-se acessível e o contrabando deixou de ser um negócio lucrativo.

Aqui no Brasil o chá é produzido em várias regiões, entre elas São Miguel (Açores) onde os produtores criaram uma associação para certificar o seu chá produzido de forma orgânica; hoje, a produção de chá no mundo é calculada por volta de 2,34 bilhões de kg por ano. A Índia, um país pobre, e repleto de contradições econômicas é o numero 1 na produção como a maior nação produtora de chá do mundo, com uma produção anual de aproximadamente 850 milhões kg.  A China, onde o chá originou-se, hoje sustenta a segunda posição e contribui com 22% da produção mundial de chá. Outros paises são importantes produtores de chá como a Argentina, Sri Lanka, Turquia, Geórgia, Kenya, Indonésia e Japão. A produção, o tranporte, e a distribuição do chá demandam transações entre pessoas a milhares de quilômetros de distância do seu consumidor, estudar estas transações também é tarefa da sociologia.

Atualmente, o chá continua a ser consumido por diversos povos espalhados pelo mundo, sendo ainda mais popular do que o café. Ao bebermos chá nos envolvemos em todo um processo passado de desenvolvimento social e econômico, por exemplo, a Stassen Natural Food é um dos principais produtores e exportadores de chá de qualidade do Sri Lanka e um antigo parceiro do Comércio Justo[3]. O Sri Lanka é um importante exportador de chá no mundo, a economia do país depende fortemente da produção de chá, o governo é detentor da maioria das fábricas de processamento de chá, e o chá é vendido em leilões controlados pelo Estado.

Logo, os pequenos produtores de chá são excluídos da produção e comercialização, e isso torna difícil para as organizações de Comércio Justo introduzir o Comércio Justo de fato como uma alternativa à produção e exportação de chá neste país,  entretanto esta empresa mostrou um particular interesse no Comércio Justo e possuí aparentemente objetivos partilhados, como a melhoria das condições de trabalho e de vida das pessoas que trabalham nas plantações de chá, e a promoção da agricultura biológica[4]. Podemos escolher entre  acreditar ou não neste “comprometimento”.Também podemos escolher entre tomarmos chá proveniente de produtores que objetivam o comércio justo e não fazem uso de fertilizantes, pesticidas e que respeitam os ciclos de vida naturais, ou dos que exploram mão de obra, utilizam fertilizantes comprometendo nossa saúde e não respeitam a natureza, claro que a partir de pesquisas acerca dos produtores, obtendo informações através de fontes confiáveis etc.

Politizamos assim o consumo desta bebida, e seguramente contribuímos para um análise sociológica acerca das questões que envolvem a produção do chá; após todas estas informações, mesmo que ainda superficiais iniciamos um processo de análise contextualizando historicamente seu consumo e  produção para compreender uma série de questões, os sociólogos estão interessados em compreender como a globalização aumenta a consciência das pessoas acerca de assuntos que vêm ocorrendo em locais distantes, como por exemplo na Índia, no Sri Lanka, encorajando-as a produzir novos conhecimentos, a ponderar, e pensar criticamente.



[1] é um sociólogo britânico, renomado por sua Teoria da estruturação. 
[2] As Treze Colônias foram as colônias Norte-Americanas que se rebelaram contra o domínio britânico, em 1775, quando formaram um governo provisório, Norte-Americano, o qual proclamou a sua independência no dia 4 de julho de 1776. Subsequentemente, as colônias constituíram-se nos treze primeiros Estados americanos. As demais colônias dabritânicas na América do Norte não aderiram imediatamente ao movimento de independência. As colônias foram fundadas entre 1607 (Virgínia) e 1733 (Georgia). 
[3] O comércio justo é um dos pilares da sustentabilidade econômica e ecológica.Trata-se de um movimento social e uma modalidade de comércio internacional que busca o estabelecimento de preços justos, bem como de padrões sociais e ambientais equilibrados, nas cadeias produtivas.A idéia de um comércio justo surgiu nos anos 1960 e ganhou corpo em 1967, quando foi criada, na Holanda, a Fair Trade Organisatie. Dois anos depois, foi inaugurada a primeira loja de comércio justo. O café foi o primeiro produto a seguir o padrão de certificação desse tipo de comércio, em 1988. O comércio justo é definido pela News! (a rede européia de lojas de comércio justo) como "uma parceria entre produtores e consumidores que trabalham para ultrapassar as dificuldades enfrentadas pelos primeiros, para aumentar seu acesso ao mercado e para promover o processo de desenvolvimento sustentável. O comércio justo procura criar os meios e oportunidades para melhorar as condições de vida e de trabalho dos produtores, especialmente os pequenos produtores desfavorecidos. Sua missão é promover a eqüidade social, a proteção do ambiente e a segurança econômica através do comércio e da promoção de campanhas de conscientização".

[4] Agricultura orgânica ou agricultura biológica é o termo frequentemente usado para designar a produção de alimentos e outros produtos vegetais que não faz uso de produtos químicos sintéticos, tais como fertilizantes e pesticidas, nem de organismos geneticamente modificados, e geralmente adere aos princípios de agricultura sustentável.

Poder, política e Estado

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