Você sabe o que é um Estado?
Estado corresponde a uma comunidade humana, fixada em um território
exercendo poder político, cujos principais fins são segurança, justiça e
bem-estar econômico e social e suas principais funções resumem-se em elaborar leis (legislativa), executar as leis
e satisfazer as necessidades coletivas
(executiva) e a resolução de conflitos e punição da violação das leis
(judiciária). A lei máxima em um Estado é uma Constituição escrita, e dirigida
por um governo que possui soberania reconhecida tanto interna como
externamente.
A palavra Estado segundo o Dicionário Houaiss é datada do século
XIII e designa "conjunto
das instituições (governo, forças armadas, funcionalismo público etc.) que
controlam e administram uma nação"; "país soberano, com estrutura
própria e politicamente organizado", segundo o dicionário Aurélio é “o
conjunto dos poderes políticos de uma nação; governo”, “Nação politicamente organizada”.
O Estado é
responsável pela organização e pelo controle social,
pois detém, segundo Max Weber,
o monopólio da violência legítima (coerção,
especialmente a legal). “O Estado consiste
em uma relação de dominação do homem pelo homem, com base no instrumento da
violência legítima – ou seja, da violência tida como legitima” Política
como Vocação - Max Weber
O Estado pode
também ser definido em termos de condições internas, especificamente (conforme
descreveu Max Weber,
entre outros) no que diz respeito à instituição do monopólio do uso da violência.
O conceito parece
ter origem nas antigas cidades-estados que se desenvolveram na antiguidade,
em várias regiões do mundo, O estado como unidade política básica no mundo tem,
em parte, vindo a evoluir no sentido de um supranacionalismo,
na forma de organizações regionais, como é o caso da União
Europeia.O Estado representa a forma máxima de organização humana, somente
transcendendo a ele a concepção de Comunidade Internacional.
Um Estado exerce
a soberania sobre um território delimitado por fronteiras, guardadas pelas
Forças Armadas e com limites precisos; tem uma burocracia administrativa e é
organizado em três esferas de poder. No Brasil, denominamos essas três esferas
União, estados e municípios – ou esfera federal, estadual e municipal.
Ainda que comumente “país” seja
usado como sinônimo de “Estado”, essas duas palavras não significam a mesma
coisa. O primeiro termo tem uma conotação física; o segundo, política. O país
é a terra, é uma porção da superfície terrestre, quando essa, no decorrer da
história, passou a ser controlada por um Estado, que exerce a soberania sobre
ela, então se transformou em território. É esse território que chamamos de
país, ou seja, aquilo que nós vemos, o conjunto formado pelas paisagens
naturais e culturais sob o controle do Estado.
A palavra nação, em sentido antropológico, é sinônimo de povo ou
etnia. Em sua significação política, com a constituição do Estado-nação a
partir da independência dos Estados Unidos e da Revolução Francesa, passou a
ser usada como sinônimo de “Estado”. Nação é um processo de criação de uma identidade comum dos grupos
étnicos, lingüísticos, religiosos e regionais, ou seja indivíduos que têm
uma história, valores, hábitos e arte comuns.
Vejamos alguns exemplos:a entidade que reúne a
quase totalidade dos Estados do mundo chama-se Organização das Nações Unidas
(ONU);a contabilidade de um Estado, em sua relação econômica com o mundo,
denomina-se Produto Nacional Bruto (PNB); as relações internacionais dão-se
entre os Estados que compõem o sistema estatal mundial; o hino e a bandeira são
símbolos nacionais, etc.
A palavra povo,
no sentido jurídico-político, é sinônimo de conjunto de cidadãos e refere-se à
população que habita o território sob jurisdição de um Estado e tem diversos
direitos e deveres – civis, políticos, sociais, econômicos e culturais –
(chamados “cidadania”), o que exclui, por exemplo, os estrangeiros
não-naturalizados.
Agora que já
sabemos o que é um Estado podemos partir para outra questão a ser discutida
nesta unidade:
SOCIEDADES SEM ESTADO
Agora, depois de
saber o que é um Estado, o que é uma nação e o que é um povo, você naturalmente
já deve ter previsto quais são as sociedades sem estado, e se você pensou em
sociedades primitivas você acertou, a chamada comunidade primitiva foi a
primeira forma de organização social dos seres humanos quando deixaram de ser
nômades e se tornaram sedentários, ou seja, quando fixaram-se em um local para
cultivar a terra e praticar o pastoreio.Como sabemos, não existia Estado nessas
sociedades, e elas eram dividas em classes sociais, mas nessas comunidades tem
origem a especialização de funções: uns caçavam, outros fabricavam utensílios,
outros cuidavam dos rituais religiosos, outros plantavam.
Sabendo disso
devemos ressaltar algumas questões:
- Não devemos
considerá-las atrasadas em relação a outras formas de organização social.Essa
idéia conduziria à adoção de uma “teoria evolucionista” de acordo com Pierre
Clastres, antropólogo e etnógrafo francês, e até mesmo etnocêntrica, como se um
certo tipo de sociedade pudesse suceder a outro tipo através da história em um
processo “evolutivo”, o que não corresponde à realidade, uma vez que hoje ainda
existem alguns povos, tribos, que possuem uma organização social parecida com a
destas sociedades.
“As sociedades primitivas são sociedades sem
Estado: esse julgamento de fato, em si mesmo correto, na verdade dissimula uma
opinião, um juízo de valor (…) O fato que se enuncia é que as sociedades
primitivas estão privadas de alguma coisa – o Estado – que lhes é, tal como a
qualquer outra sociedade - a nossa, por exemplo - necessária. Essas sociedades
são, portanto, incompletas. Não
são exatamente verdadeiras sociedades - não são policiadas -, e subsistem na experiência talvez dolorosa de uma falta - falta do Estado - que elas
tentariam, sempre em vão, suprir. De um modo mais ou menos confuso, é isso
mesmo o que dizem as crônicas dos viajantes ou os trabalhos dos pesquisadores:
não se pode imaginar a sociedade sem o Estado, o Estado é o destino de toda
sociedade.(…) Descobre-se nessa abordagem uma fixação etnocentrista tanto mais
sólida quanto é ela, o mais das vezes, inconsciente(…) Cada um de nós traz
efetivamente em si, interiorizada como a fé do crente, essa certeza de que a
sociedade existe para o Estado. Como conceber então a própria existência das
sociedades primitivas, a não ser como espécies à margem da história universal,
sobrevivências anacrônicas de uma fase distante e, em todos os lugares há muito
ultrapassada?
Reconhece-se aqui a outra face do
etnocentrismo, a convicção complementar de que a história tem um sentido único,
de que toda sociedade está condenada a inscrever-se nessa história e a
percorrer as suas etapas que, a partir da selvageria, conduzem à civilização
(…) Mas o registro de uma evolução evidente de forma alguma fundamenta uma
doutrina que, relacionando arbitrariamente o estado de civilização com a
civilização do Estado, designa este último como termo necessário atribuído a
toda sociedade.”
“(…) Já se percebeu que, quase sempre, as
sociedades arcaicas são determinadas de maneira negativa, sob o critério da
falta: sociedades sem Estado, sociedades sem escrita, sociedades sem história.
Mostra-se como sendo da mesma ordem a determinação dessas Sociedades no plano
econômico: sociedades de economia de subsistência. Se, com isso, quisermos
significar que as sociedades primitivas desconhecem a economia de mercado onde
são escoados os excedentes da produção, nada afirmamos de modo estrito, e
contentamo-nos em destacar mais uma falta, sempre com referência ao nosso
próprio mundo: essas sociedades que não possuem Estado, escrita, história,
também não dispõem de mercado. Todavia, pode objetar o bom senso, para que
serve um mercado, se não há excedentes? Ora a idéia de economia de subsistência
contém em si mesma a afirmação de que, se as sociedades primitivas não produzem
excedentes, é porque são incapazes de fazê-lo, inteiramente ocupadas que
estariam em produzir o mínimo necessário à sobrevivência, à subsistência.
Imagem antiga, sempre eficaz, da miséria dos selvagens. E, a fim de explicar
essa incapacidade das sociedades primitivas de sair da estagnação de viver o
dia-a-dia, dessa alienação permanente na busca de alimentos, invocam-se o
subequipamento técnico, a inferioridade tecnológica.”(Clastres,Pierre. A sociedade contra o Estado,
título original: Lê Societé contre I’Etat.Tradução: Theo
Santiago.Digitalização:2004. Publicação:1974. disponível em:www.sabotagem.revolt.br).
Continuando…
- Trata-se, na
verdade, de sociedades extremamente complexas, principalmente do ponto de vista
da sua cultura, o que foi demonstrado em diversas pesquisas por antropólogos e
etnográfos, pois possuíam rituais, hábitos e cotumes peculiares.
Revolucionários têm sonhado em escapar do
Estado; alguns quiseram fazer isso refugiando-se em terras onde pudessem viver
isolados em pequenas comunidades mantidas juntas pelo princípio da associação
voluntária e do auxílio mútuo, assim como nas sociedades ditas primitivas.
Você já deve ter
ouvido falar em comunismo não é mesmo?
O "comunismo puro", no sentido marxista
refere-se a uma sociedade sem classes,
sem Estado e
livre de opressão, onde as decisões sobre o que produzir e quais as políticas
devem prosseguir são tomadas democraticamente,
permitindo que cada membro da sociedade possa participar do processo decisório,
tanto na esfera política e econômica da vida.
As doutrinas
comunistas anteriores à Revolução Industrial, punham toda ênfase nos
aspectos distributivistas[1],
colocando a igualdade social, isto é, a abolição das classes e estamentos, como o principal
objetivo. Com Karl Marx e Friedrich
Engels, fundadores do "socialismo científico", a ênfase
deslocou-se para a plena satisfação das necessidades humanas,
possibilitada pelo desenvolvimento tecnológico: mediante a elevação da
produtividade do trabalho humano, a tecnologia proporcionaria ampla abundância de
bens, cuja distribuição poderia deixar de ser antagônica[2],
realizando-se a igualdade numa situação de bem-estar geral.
A partir dessa formulação,
que teve uma profunda influência sobre o comunismo contemporâneo, a sociedade
comunista seria o fim máximo de uma longa evolução histórica. Os regimes
"anteriores", principalmente o capitalismo e o socialismo,
cumpririam o seu papel histórico ao promover o aumento da produtividade e, portanto, as pré-condições da
abundância, que caberia ao comunismo transformar em plena realidade. Só o
comunismo, que corresponderia ao pleno "reino da liberdade e da
abundância", poderia instaurar a repartição segundo o princípio de "a
cada um segundo sua necessidade".
A instauração do
comunismo foi feita em alguns países, dentre eles a extinta União Soviética e
a República Popular da China são os principais - por movimentos e
partidos que, adeptos da doutrina comunista, procuraram transformar a sociedade mediante a conquista revolucionária do
poder político. Em outros países o comunismo foi imposto pela União Soviética ao
final da Segunda Guerra Mundial, formando-se o bloco
socialista, incluindo Polônia, Tchecoslováquia, Hungria, Romênia, Albânia e Alemanha
Oriental. Outros países, pertencentes ao Terceiro
Mundo (como a Argélia),
passaram a integrar o bloco socialista em decorrência das chamadas guerras de
libertação nacional. Como passo inicial, a promoção da estatização dos meios de
produção (fábricas, fazendas, etc.) e
de distribuição (transporte, comércio),
instaurando diferentes sistemas de planejamento que variam, segundo o país e o momento, no seu grau de países, no
entanto, os mecanismos de mercado foram inteiramente abolidos.
O comunismo é o modo de produção em
que a sociedade se libertaria da alienação do trabalho, que é
a forma de alienação que funda as demais, onde a humanidade se tornaria emancipada, tendo o
controle e consciência sob todo o processo social de produção. Em outras
palavras, o comunismo é o "trabalho livremente associado", nas
palavras do próprio Karl Marx. Enquanto no capitalismo o trabalho é livremente
comercializado, enquanto mercadoria,
na sociedade comunista, com a socialização dos meios de produção, o trabalho deixaria de ser um
aspecto negativo e passaria a ser positivo, isto é, o trabalho seria a
afirmação do prazer, dado a abundância de produtos e o desenvolvimento da
produtividade do trabalho, que faria com que pudéssemos trabalhar cada vez
menos, com processos de mecanização e controle racional, levando em
consideração a questão da natureza.
Em uma sociedade
comunista não haveria governos estatais ou países e não haveria
divisão de classes, pelo contrário, a sociedade seria
auto-gerida democraticamente,
entretanto não na forma política e sim através da atividade humana consciente.
No Marxismo-Leninismo, o Socialismo é um modo de produção intermediário
entre capitalismo e comunismo, quando o governo está num
processo de transformar os meios de produção de privados para sociais.Então
seria possível para as pessoas acreditarem numa sociedade comunista sem
necessariamente utilizar da via proposta por Karl Marx, por exemplo utilizando
o comunismo-religioso ou anarco-comunismo.
Mas obviamente, para alcançar a emancipação humana há os obstáculos promovidos
pela classe dominante, no caso, a burguesia,
que detém todos os meios contra a revolução socialista.Na prática, nenhum dos
páises onde se instaurou o comunismo foi possível seguir estritamente o que foi
proposto inicialmente, inclusive na China, hoje uma das economias que mais
cresce no mundo com seu mercado aberto ao comércio internacional contudo
repleta de desigualdes.
[1] Distributismo, também conhecido como distribucionismo ou distributivismo é uma filosofia econômica defendida
por alguns pensadores católicos, como Chesterton e Hilaire
Belloc. De acordo com o distributivismo, a posse dos meios de produção deve
estar o mais amplamente distribuída possível entre a população, ao contrário de
estar centralizada no Estado (como no capitalismo de Estado) ou concentrada em uma
minoria de indivíduos (capitalismo liberal).
Distributivismo, assim como a social
democracia, é considerado uma terceira
via da ordem econômica, além do capitalismo e socialismo. Nesse
sistema, a maior parte das pessoas deveria conseguir sobreviver sem ter que
contar com o uso da propriedades de outrem para fazê-lo. Alguns exemplos
seriam agricultores que são donos de suas terras, mecánicos
que possuem suas próprias ferramentas e equipamentos, desenvolvedores de software de posse de seus
computadores e seus copyrights,
etc.
[2] Em
oposição, oposto, contrário.
