quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Os tipos de dominação segundo Max Weber

No cerne de relações sociais, moldadas pelas lutas, Max Weber percebe de fato a dominação, dominação esta, assentada em uma verdadeira constelação de interesses, monopólios econômicos, dominação estabelecida na autoridade, ou seja o poder de dar ordens, por isso ele acrescenta a cada tipo de atividade tradicional, afetiva ou racional um tipo de dominação particular.Weber definiu as dominações como a oportunidade de encontrar uma pessoa determinada pronta a obedecer a uma ordem de conteúdo determinado.




- Dominação Legal (onde qualquer direito pode ser criado e modificado através de um estatuto sancionado corretamente), tendo a “burocracia” como sendo o tipo mais puro desta dominação. Os princípios fundamentais da burocracia, segundo o autor são a Hierarquia Funcional, a Administração baseada em Documentos, a Demanda pela Aprendizagem Profissional, as Atribuições são oficializadas e há uma Exigência de todo o Rendimento do Profissional. A obediência se presta não à pessoa, em virtude de direito próprio, mas à regra, que se conhece competente para designar a quem e em que extensão se há de obedecer. Weber classifica este tipo de dominação como sendo estável, uma vez que é baseada em normas que, como foi dito anteriormente, são criadas e modificadas através de um estatuto sancionado corretamente. Ou seja, o poder de autoridade é legalmente assegurado.
- Dominação Tradicional (onde a autoridade é, pura e simplesmente, suportada pela existência de uma fidelidade tradicional); o governante é o patriarca ou senhor, os dominados são os súditos e o funcionário é o servidor. O patriarcalismo é o tipo mais puro desta dominação. Presta-se obediência à pessoa por respeito, em virtude da tradição de uma dignidade pessoal que se julga sagrada. Todo o comando se prende intrinsecamente a normas tradicionais (não legais) ao meu ver seria um tipo de “lei moral”. A criação de um novo direito é, em princípio, impossível, em virtude das normas oriundas da tradição. Também é classificado, por Weber, como sendo uma dominação estável, devido à solidez e estabilidade do meio social, que se acha sob a dependência direta e imediata do aprofundamento da tradição na consciência coletiva.
- Dominação Carismática (onde a autoridade é suportada, graças a uma devoção afetiva por parte dos dominados). Ela assenta sobre as “crenças” transmitidas por profetas, sobre o “reconhecimento” que pessoalmente alcançam os heróis e os demagogos, durante as guerras e revoluções, nas ruas e nas tribunas, convertendo a fé e o reconhecimento em deveres invioláveis que lhes são devidos pelos governados. A obediência a uma pessoa se dá devido às suas qualidades pessoais. Não apresenta nenhum procedimento ordenado para a nomeação e substituição. Não há carreiras e não é requerida formação profissional por parte do “portador” do carisma e de seus ajudantes. Weber coloca que a forma mais pura de dominação carismática é o caráter autoritário e imperativo. Contudo, Weber classifica a Dominação Carismática como sendo instável, pois nada há que assegure a perpetuidade da devoção afetiva ao dominador, por parte dos dominados.
Max Weber observa que o poder racional ou legal cria em suas manifestações de legitimidade a noção de competência, o poder tradicional a de privilégio e o carismático dilata a legitimação até onde alcance a missão do “chefe”, na medida de seus atributos carismáticos pessoais.


Referências:
WEBER, Max. Ensaios de Sociologia. Ed. Guanabara: Rio de Janeiro, 1981.
COSTA, Cristina. “Sociologia alemã: a contribuição de Max Weber”, in: Sociologia – Introdução à ciência da sociedade. (2a ed). São Paulo: Moderna, 2001 (pp. 70-77).
FERREIRA, Delson. Manual de sociologia: dos clássicos à sociedade da Informação. São Paulo: Atlas, 2001.
Bianca Wild. 
Cientista social (Socióloga) 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

O método sociológico de Émile Durkheim

Durkheim parte da ideia fundamental de Comte de que a sociedade deve ser vista como um organismo vivo. Também concordava com o pressuposto de que as sociedades apenas se mantém coesas quando de alguma forma compartilham sentimentos e crenças comuns. Entretanto critica Comte na sua perspectiva evolucionista, pois entende que os povos que sucedem os anteriores não necessariamente são superiores, apenas são diferentes em sua estrutura, seus valores, seus conhecimentos, sua forma organizacional. Entende que a seqüência das sociedades adapta-se melhor a semelhança de uma árvore cujos ramos se orientam em sentidos opostos que uma linha geométrica evolucionista. Também Spencer foi alvo de críticas porquanto 
Durkheim que, de forma geral, estendeu esta crítica a uma série de outros pensadores. Segundo ele muitos sociólogos trabalhavam não sobre o objeto em si, mas de acordo com a idéia pré-estabelecida acerca do fenômeno. Assim, ele entendia que a perspectiva de analise de Spencer não definia sociedade e sim contemplava sua visão particular de como efetivamente eram as sociedades. Também ponderou como ser possível encontrar a fórmula suprema da vida social quando ainda ignorava-se as diferentes espécies de sociedades, suas principais funções e suas leis. Como então empreender-se em um estudo da evolução das mesmas quando não se sabe exatamente o que são e a que vieram.
Entretanto antes gostaria de mapear alguns pontos que me parecem fundamentais para compreender o pensamento de Durkheim, cuja base assenta-se em alguns pressupostos ou noções fundamentais a serem detalhadas adiante:
  • Os fatos sociais devem ser tratados como coisas;
  • A análise dos fatos sociais exige reflexão prévia e fuga de idéias pré-concebidas;
  • O conjunto de crenças e sentimentos coletivos são a base da coesão da sociedade;
  • Destaca o estudo da moral dos indivíduos; e
  • A própria sociedade cria mecanismos de coerção internos que fazem com que os indivíduos aceitem de uma forma ou de outra as regras estabelecidas (a explicação dos fatos sociais deve ser buscada na sociedade e não nos indivíduos – os estados psíquicos, na verdade, são conseqüências e não causas dos fenômenos sociais)
O MÉTODO SOCIOLÓGICO DE DURKHEIM
Idéias centrais do método sociológico de Durkheim
Podemos dizer que o método sociológico de Durkheim apresenta algumas idéias centrais, que percorrem toda a extensão de sua visão sociológica. São elas:
1) Contraposição ao conhecimento filosófico da sociedade: A filosofia possui um método dedutivo de conhecimento, que parte da tentativa de explicar a sociedade a partir do conhecimento da natureza humana. Ou seja, para os filósofos o conhecimento da sociedade pode ser feito a partir de dentro, do conhecimento da natureza do indivíduo. Como a sociedade é formada pelos indivíduos, a filosofia tem a prática de explicar a sociedade (e os fatos sociais) como uma expressão comum destes indivíduos. De outro lado, se existe uma natureza individual que se expressa coletivamente na organização social, então pode-se dizer que a história da humanidade tem um sentido, que deve ser a contínua busca de expressão desta natureza humana. Para Adam Smith, por exemplo, dado que o homem é, por natureza, egoísta, motivado por fatores econômicos e propenso às trocas, a sociedade de livre mercado seria a plena realização desta natureza. Para Hegel, a história da humanidade tendia a crescentemente afirmar o espírito humano da individuação e da liberdade. Para Marx, a história da sociedade era a história da dominação e da luta de classes, e a tendência seria a afirmação histórica, por meio de sucessivas revoluções, da liberdade humana e da igualdade, por meio do socialismo.
Para Durkheim, estas concepções eram insuportáveis, pois eram deduções e não tinham validade científica, eram crenças fundamentadas em concepções a respeito da natureza humana. Durkheim acreditava que o conhecimento dos fatos sociológicos deve vir de fora, da observação empírica dos fatos.
2) Os fenômenos sociais são exteriores aos indivíduos: a sociedade não seria simplesmente a realização da natureza humana, mas, ao contrário, aquilo que é considerado natureza humana é, na verdade, produto da própria sociedade. Os fenômenos sociais são considerados por Durkheim como exteriores aos indivíduos, e devem ser conhecidos não por meio psicológico, pela busca das razões internas aos indivíduos, mas sim externamente a ele na própria sociedade e na interação dos fatos sociais. Fazendo uma analogia com a biologia, a vida, para Durkheim, seria uma síntese, um todo maior do que a soma das partes, da mesma forma que a sociedade é uma síntese de indivíduos que produz fenômenos diferentes dos que ocorrem nas consciências individuais (isto justificaria a diferença entre a sociologia e a psicologia).
3) Os fatos sociais são uma realidade objetiva: ou seja, para Durkheim, os fatos sociais possuem uma realidade objetiva e, portanto, são passíveis de observação externa. Devem, desta forma, ser tratados como "coisas".
4) O grupo (e a consciência do grupo) exerce pressão (coerção) sobre o indivíduo: Durkheim inverte a visão filosófica de que a sociedade é a realização de consciências individuais. Para ele, as consciências individuais são formadas pela sociedade por meio da coerção. A formação do ser social, feita em boa parte pela educação, é a assimilação pelo indivíduo de uma série de normas, princípios morais, religiosos, éticos, de comportamento, etc. que balizam a conduta do indivíduo na sociedade. Portanto, o homem, mais do que formador da sociedade, é um produto dela.
que é um "fato social"?
Nas palavras do próprio Durkheim
"É fato social toda a maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou ainda, toda a maneira de fazer que é geral na extensão de uma sociedade dada e, ao mesmo tempo, possui uma existência própria, independente de suas manifestações individuais".
Ou ainda
"O fato social é tudo o que se produz na e pela sociedade, ou ainda, aquilo que interessa e afeta o grupo de alguma forma”.
Os fatos sociais, para Durkheim, existem fora e antes dos indivíduos (fora das consciências individuais) e exercem uma força coercitiva sobre eles (ex. as crenças, as maneiras de agir e de pensar existem antes dos indivíduos e condicionam coercitivamente o seu comportamento).
Durkheim argumenta, contrariando boa parte do pensamento filosófico, que "somos vítimas da ilusão que nos faz crer que elaboramos, nós mesmos, o que se impõe a nós de fora". E, respondendo àqueles que não crêem nesta coerção social que sofrem os indivíduos porquê não se pode senti-la, argumenta que "o ar não deixa de ser pesado embora não sintamos seu peso". Para Durkheim, o fato social é um resultado da vida comum, e ele propõe isolá-los para estudá-los. Desta forma, a sociologia deveria preocupar-se essencialmente com o estudo dos fatos sociais, de forma objetiva e científica.
Sobre a observação dos fatos sociais:
Para Durkheim, a ciência deveria explicar, não prescrever remédios. Este, para ele, era o problema da filosofia, ela tentava entender a natureza humana, pois aí, tudo o que estivesse de acordo com esta natureza era considerado bom, e tudo o que não estivesse era considerado ruim.
Para Durkheim, a observação dos fatos sociais deveria seguir algumas regras, tais como:
A. Os fatos sociais devem ser tratados como COISAS.
Para Durkheim, "é coisa tudo aquilo que é dado, e que se impõe à observação". Nem a existência da natureza humana nem o sentido de progresso no tempo, como admitia Comte por exemplo, fazia sentido, segundo Durkheim, dentro do método sociológico. Eles são uma concepção do espírito. Durkheim, neste sentido, é essencialmente objetivista, empirista e indutivista, ao contrário de Comte, o fundador da sociologia, que era considerado por ele como subjetivista e filosófico.



B. Uma segunda concepção importante no método sociológico de Durkheim, é de que, para ele, o sociólogo ao estudar os fatos sociais, deveria despir-se de todo o sentimento e toda a pré-noção em relação ao objeto.
C. Terceiro, o pesquisador deveria definir precisamente as coisas de que se trata o estudo a fim de que se saiba, e de que ele saiba, bem o que está em questão e o que ele deve explicar.
D. E quarto, a sensação, base do método indutivo e empirista, pode ser subjetiva. Por isto, deveria-se afastar todo o dado sensível que corra o risco de ser demasiado pessoal ao observador.
Sobre a construção de tipos sociais
Uma outra questão importante no método de Durkheim parte da necessidade de agrupar sociedades em tipos sociais, segundo a sua semelhança. Para o método sociológico, não interessava nem a perspectiva dos historiadores, que viam na história uma diversidade de sociedades muito grande, nem a filosófica, que agrupava toda a evolução histórica na idéia de humanidade, pela qual perpassava a realização da natureza humana. Segundo Durkheim, escapamos a esta alternativa tão logo se reconheça que, entre a multidão confusa das sociedades históricas (a infinidade de sociedades diferentes descrita pelos historiadores) e o conceito único, mas ideal, de humanidade (dos filósofos), existem intermediários que são as espécies sociais.
A constituição destes tipos sociais, de suma importância para a sociologia uma vez que Durkheim afirmava que a concepção de normal e patológico é relativa a cada tipo social, deveria seguir um método: (a) estudar cada sociedade individualmente; (b) constituir monografias exatas e detalhadas; (c) compará-las achando semelhanças e diferenças; (d) classificar os povos em grupos, segundo estas semelhanças e diferenças.
Este seria, para Durkheim, um método somente admissível para uma ciência da observação. O estudo e a representação destes tipos sociais foi descrita por ele como uma área específica da sociologia, denominada Morfologia Social, numa clara alusão aos estudos semelhantes na biologia.
Sobre a explicação dos fatos sociais
Durkheim afirmava que seus antecessores na sociologia (Comte e Spencer) explicavam os fatos sociais pela sua utilidade. Assim, para Comte, o progresso existe para melhorar a condição humana, ou para Spencer, para tornar o homem mais feliz. A família, para Spencer, se transformara pela necessidade de concilhar cada vez mais perfeitamente o interesse dos pais, dos filhos e da sociedade. Assim, os sociólogos tendiam a normalmente deduzirem o fato dos fins, ou seja, a explicação suprema da vida coletiva consistiria em mostrar como ela decorre da natureza humana em geral. Para Durkheim, porém, este método era errado. Segundo ele
"Mostrar como um fato é útil não explica como ele surgiu nem como ele é o que é" . "Para explicar um fenômeno social é preciso pesquisar separadamente a causa eficiente que ele produz e a função que ele cumpre" . Apesar disto, "para explicar um fato de ordem vital não basta explicar a causa da qual ele depende, é preciso também ao menos na maior parte dos casos, encontrar a parte que lhe cabe no estabelecimento desta harmonia geral".
Para Durkheim, ao invés de buscar a causa dos fatos sociais nos fins ou na função que ele desempenha, "a causa determinante de um fato social deve ser buscada entre os fatos sociais antecedentes, e não entre os estados de consciências individuais". Por outro lado, "a função de um fato social deve sempre ser buscada na relação que ele mantém com algum fim social" .
Sobre a relação de causalidade
Dado que do fato social primeiro deve se buscar as causas para depois explicar-lhe as conseqüências (ou seja, não se pode deduzir a causa das sua conseqüência), deve-se Ter, então, rigor científico na explicação causal. Assim, para Durkheim
"Só existe um meio de demonstrar que um fenômeno é causa de outro: comparar os casos em que eles estão simultaneamente presentes ou ausentes e examinar se as variações que apresentam nessas diferentes combinações de circunstâncias testemunham que um depende do outro".
Ora, este é um método que advoga a observação e o estudo estatístico do fato e dos fatores que hipoteticamente podem lhe ser causadores, para que se possa estabelecer correlação entre eles. Para Durkheim, em razão da natureza dos fatos, os métodos científicos que decorriam desta concepção dividiam-se em dois grupos: (a) Experimentação, quando os fatos podem ser artificialmente produzidos pelo observador; e (b) Experimentação Indireta ou Comparação quando os fatos se produzem espontaneamente e não podem ser produzidos pelo observador.
Como pode-se observar, o método para se estabelecer a causalidade em sociologia, para Durkheim, seria a Experimentação Indireta ou Comparação. Comte também utilizava o método da comparação, mas a este ele adicionou o método histórico, pois ele tinha que buscar a finalidade e a evolução dos fenômenos, ou seja, o sentido de progresso. Isto, para Durkheim, não tina sentido em sociologia.
Segundo a sua concepção de causalidade, a um efeito corresponderia sempre uma mesma causa. Assim, se um fato tem mais de uma causa, então ele não é um fato único. Durkheim dá o exemplo do suicídio: se o suicídio depende de mais de uma causa, é porque, na verdade, existem várias espécies de suicídio (ele identificou três tipos, que decorriam de causas distintas, o suicídio egoísta, o altruísta e o anômico).
Mas não basta estudar a correlação entre os fatos sociais; é preciso que haja uma explicação racional vinculando-os. Assim,
"a concomitância (de dois fenômenos) pode ser devida não a um fenômeno ser a causa do outro, mas a serem ambos efeitos de uma mesma causa, ou então por existir entre eles um terceiro fenômeno, intercalado, mas despercebido, que é o efeito do primeiro e a causa do segundo".
Desta forma, os resultados da comparação deveriam ser interpretados.
O método de Durkheim, por ele próprio
Para Durkheim, o seu método sociológico tinha três características básicas que o distinguiam de seus antecessores na sociologia, como Comte e Spencer:
1. Ele é um método independente de toda a filosofia. Ou seja, ele não tem que Ter uma vinculação com qualquer visão filosófica ou ideológica do mundo. Ele não precisa afirmar nem a liberdade nem o determinismo; a sociologia, assim, não será nem individualista, nem comunista, nem socialista, no sentido que se dá vulgarmente a estas palavras.
2. É um método objetivo. Segundo Durkheim, ele é um método inteiramente dominado pela idéia de que os fatos sociais são coisas e como tais devem ser tratados.
3. É exclusivamente sociológico. Ou seja, não deriva da forma da filosofia tratar a sociedade, nem da psicologia, e nem das ciências naturais, uma vez que afirma que a sociedade tem uma natureza própria, que não é derivada nem da natureza humana, nem das consciências individuais, nem das constituições orgânicas dos indivíduos.

Referências:
DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico.Martins fontes. 2007.
<http://www.culturabrasil.pro.br/durkheim.htm> acesso em 23 de Setembro de 2005 às 21:00 PM.
<http://gestor.ea.ufrgs.br/adp/durkheim_adp014_2000_1.html> acesso em 11 de Outubro de 2005 às 10:25 AM.
Bianca Wild. 

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

As primeiras teorias sociológicas na compreensão do presente parte 2


O mundo moderno para Durkheim

A humanidade, para esse autor, está em constante evolução, o que seria caracterizado pelo aumento dos papéis sociais ou funções. Por exemplo, para Durkheim, existem sociedades que organizam-se sob a forma de um tipo de solidariedade denominada mecânica e outras sociedades organizam-se sob a forma de solidariedade orgânica.

As sociedades organizadas sob a forma de solidariedade mecânica seriam aquelas nas quais existiriam poucos papéis sociais. Segundo Durkheim, nessas sociedades, os membros viveriam de maneira semelhante e, geralmente, ligados por crenças e sentimentos comuns, o que ele chama de consciência coletiva. Neste tipo de sociedade existiria pouco espaço para individualidades, pois qualquer tentativa de atitude “individualista” seria percebida e corrigida pelos demais membros.

A organização de algumas aldeias indígenas poderiam servir de exemplo de como se dá a solidariedade mecânica: grupos de pessoas vivendo e trabalhando semelhantemente, ligados por suas crenças e valores. Nesses grupos, se alguém começasse a agir por conta própria, seria fácil perceber quem estaria “tumultuando” o modo de vida local.

Outro exemplo que pode caracterizar a solidariedade mecânica são os mutirões para colheita em regiões agrárias ou para reconstruir casas devastadas por vendavais e, ainda, são exemplos também as campanhas para coletar alimentos.

Diferentemente das sociedades organizadas em solidariedade mecânica, nas sociedades de solidariedade orgânica – típicas do mundo moderno - existem muitos papéis sociais. Pense na quantidade de tarefas que pode haver nas áreas urbanas, nas cidades: são muitas as funções e atividades. Durkheim acreditava que mesmo com uma grande divisão e variedade de atividades, todas elas deveriam cooperar entre si. Por isso, deu o nome de orgânica (como se fosse um organismo).

Mas, nessas sociedades, diante da existência de inúmeros papéis sociais, diminui o grau de controle da sociedade sobre cada pessoa. A individualidade, sob menor controle, passa a ser uma porta para que a pessoa pretenda aumentar, ainda mais, o seu raio de ação ou de posições dentro da sociedade.

Uma das maiores expressões da anomia no mundo moderno, segundo Durkheim, seria: o egoísmo das pessoas. E a causa desta atitude seria a fragilidade das normas e controles sobre a individualidade, normas e controles que nas sociedades de solidariedade mecânica funcionam com maior eficácia.

Qual seria, então, a solução para o mundo moderno, segundo Durkheim?
Já que ele compara a sociedade com um corpo, deve haver algo nela que não está cumprindo sua função e gerando a patologia (a anomia, a doença). O corpo precisa de diagnóstico e remédio. Segundo ele, a Sociologia teria esse papel, ou seja, o de encontrar as “partes” da sociedade que estão produzindo fatos sociais patológicos e apontar para a solução do problema. Durkheim chegou a fazer, para as escolas francesas, propostas de valores tais como ‘o respeito da razão, da ciência, das idéias e sentimentos em que se baseia a moral democrática, visando contribuir à restauração da ordem social naquela sociedade.


Max Weber
O pensamento deste sociólogo Alemão segue diretrizes diferentes das dos dois autores que vimos anteriormente. Max Weber (1864-1920), ao contrário de Durkheim e Comte, acreditou na possibilidade da interpretação da sociedade partindo não dos fatos sociais já consolidados e suas características externas (leis, instituições, normas, regras, etc), ele propôs começar pelo indivíduo que nela vive, ou melhor, pela verificação das “intenções”, “motivações”, “valores” e “expectativas” que orientam as ações do indivíduo na sociedade. Sua proposta é a de que os indivíduos podem conviver, relacionar-se e até mesmo constituir juntos algumas instituições (como a família, a igreja, a justiça), exatamente porque quando agem eles o fazem partilhando, comungando uma pauta bem parecida de valores, motivações e expectativas quanto aos objetivos e resultados de suas ações. E mais, seriam as ações recíprocas (repetidas e “combinadas”) dos indivíduos que permitiriam a constituição daquelas formas duráveis (Estado, Igreja, casamento, etc.) de organização social.

Weber desenvolve a teoria da Sociologia Compreensiva, ou seja, uma teoria que vai entender a sociedade a partir da compreensão dos ‘motivos’ visados subjetivamente pelas ações dos indivíduos.

Uma crítica de Weber aos positivistas, entre os quais se encontrariam Comte e Durkheim, deve-se ao fato de que eles pretendiam fazer da Sociologia uma ciência positiva, isto é , baseada nos mesmos métodos de investigação das ciências naturais. Segundo Weber, as ciências naturais (biologia, física, por exemplo) conseguiriam explicar aquilo que estudam (a natureza) em termos de descobrir e revelar relações causais diretas e exclusivas, que permitiriam a formulação de leis de funcionamento de seus eventos, como as leis químicas e físicas que explicam o fenômeno da chuva. Mas a ciência social não poderia fazer exatamente o mesmo. Segundo Weber, não haveria como garantir que uma ação ou fenômeno social ocorreria sempre de determinada forma, como resposta direta a esta ou aquela causa exclusiva. No caso das Ciências Humanas, isso ocorre porque o ser humano possui “subjetividade”, que aparece na sua ação na forma de valores, motivações, intenções, interesses e expectativas.
Embora esses elementos que compõem a subjetividade humana sejam produtos culturais, quer dizer, produtos comuns acolhidos e assumidos coletivamente pelos membros da sociedade, ou do grupo, ainda assim se vê que os indivíduos vivenciam esses valores, motivações e expectativas de modos particulares. Às vezes com aceitação e reprodução dos valores e normas propostas pela cultura comum do grupo; outras vezes, com questionamentos e reelaboração dessas indicações e até rejeição das mesmas.
Decorre dessa característica (de certa autonomia, criatividade e inventividade do ser humano diante das obrigações e constrangimentos da sociedade) a dificuldade de se definir leis de funcionamento da ação social que sejam definitivas e precisas.

Por isso, o que a Sociologia poderia fazer, seria desenvolver procedimentos de investigação que permitissem verificar que conjunto de “motivações”, valores e expectativas compartilhadas, estaria orientando a ação dos indivíduos envolvidos no fenômeno que se quer compreender. Tomando como exemplo eleições, seria possível  prever, com algum acerto, como as pessoas votarão numa eleição, pesquisando sua “subjetividade”, ou seja, levantando qual é, naquela ocasião dada, o conjunto de valores, motivações, intenções e expectativas compartilhadas pelo grupo de eleitores em foco, e que servirão para orientar sua escolha eleitoral. Esses pressupostos estão por detrás das conhecidadas “pesquisas de intenção de voto”, bastante freqüentes em vésperas de eleições.
Segundo Weber, as pessoas podem atuar, em geral, mesclando quatro tipos básicos de ação social. São eles:
A ação racional com relação a fins:  o indivíduo age para obter um fim objetivo previamente definido. E para tanto, seleciona e faz uso dos meios necessários e mais adequados do ponto de vista da avaliação. O que se destaca, aqui, é o esforço em adequar, racionalmente, os fins e os meios de atingir o objetivo. Na ação de um político, por exemplo, podemos ver um foco: o de obter o cargo com o poder que deseja com fins que dependem do político, de seu caráter.


O que Weber pensa sobre a política: ele nos fala no livro Ciência e Política – Duas vocações (2002), que há dois tipos de políticos que por nós são eleitos:
a) Os políticos que exercem essa profissão por vocação, ou seja, os que têm o poder como meta para trabalhar arduamente em prol da sociedade que os elegeu. estes são os que vivem para a política.
b) E os que são políticos sem vocação, ou seja, que olham para a política como se fosse um “emprego” apenas. São aqueles que, uma vez eleitos, geralmente se esquecem dos compromissos sociais que assumiram, pouco fazem pelo social, trabalham apenas para manter-se no poder a fim de continuar ganhando o salário. Weber diz que estes são os que vivem da política.
A ação racional com relação a valores, ocorreria porque, muitas vezes, os fins últimos de ação respondem a convicções, ao apego fiel a certos valores (honra, justiça, honestidade...). Neste tipo, o sentido da ação está inscrito na própria conduta, nos valores que a motivaram e não na busca de algum resultado previa e racionalmente proposto. Por esse tipo de ação podemos pensar as religiões. Ninguém vai a uma igreja ou pertence a determinada religião, de livre vontade, se não acredita nos valores que lá são pregados. Certo?
Na ação afetiva a pessoa age pelo afeto que possui por alguém ou algo. Uma serenata pode ser vista como uma ação afetiva para quem ama.
A ação social tradicional é um tipo de ação que nos leva a pensar na existência de um costume. O ato de tomar chimarrão ou pedir a benção dos pais na hora de dormir são ações que podem ser pensadas pela ação tradicional.
A idéia de Weber para se entender a sociedade é a seguinte: se quisermos compreender a instituição igreja, por exemplo, vamos ter que olhar os indivíduos que a compõem e suas ações. Provavelmente haverá um grupo significativo de pessoas que agem do mesmo modo, quer dizer, partilhando valores, desejos e expectativas quanto à religião, o que resultaria no que Weber chama de relação social.
A existência da relação social dos indivíduos, ou seja, uma combinação de ações que se orientam para objetivos parecidos, é que faz compreender o ‘porquê’ da existência do todo, como neste próprio exemplo da igreja. É assim que, as normas, as leis e as instituições são formas de relações sociais duráveis e consolidadas.
Os tipos de ação, para Weber, sempre serão construções do pensamento, isto é, suposições teóricas baseadas no conhecimento acumulado, que o sociólogo fará para se aproximar ao máximo daquilo que seria a ação real do indivíduo nas circunstâncias ou no grupo em que vive. Com esse instrumento, o sociólogo pode avaliar, na análise de um fenômeno, o que se repete, com que intensidade, e o que é novo ou singular, comparando-o com outros casos parecidos, já conhecidos e resumidos numa tipologia.
Por exemplo, se há alguém apaixonado que você conheça, qual seria o tipo ideal de ação desta pessoa? A afetiva! Assim sendo, seria “fácil” prever quais seriam as possíveis atitudes desta pessoa: mandar flores e presentes, querer que a hora passe logo para estar com ela(e), sonhar acordado e coisas do tipo. E assim poderíamos entender, em parte, como se forma a instituição família. Uma coisa liga a outra.
Outro exemplo. Pode ser que alguém perto de você nem pense em querer se apaixonar para não atrapalhar os estudos. Sua meta é a universidade e uma ótima profissão. Então, temos uma ação racional! Para esta pessoa nem adiantaria mandar flores ou “torpedos”, a opção por não manter um relacionamento afetivo poderia ser considerada uma ação racional com relação a um objetivo.

Quanto ao sistema capitalista e o mundo moderno:
O que pensa Weber?
Uma contribuição relevante de Weber, neste caso, é demonstrar que o mecanismo do modo de produção capitalista, no ocidente europeu, principalmente, contou com a existência, em alguns países, de um conjunto de valores de fundo religioso que ajudou a criar entre certos indivíduos, predisposições morais e motivações para se envolverem na produção e no comércio de tipo capitalista.
Na crença dos calvinistas, os homens já nasceriam predestinados à salvação ou ao inferno, embora não pudessem saber, exatamente, seu destino particular. Assim sendo, e para fugir da acusação de pecadores e desmerecedores do melhor destino, dedicavam-se a glorificar Deus por meio do trabalho e da busca do sucesso na profissão.
Com o passar dos tempos, essa idéia de que a predestinação e o sucesso profissional seriam indícios de salvação da alma foi perdendo força. Mas o interessante é que a ética estimuladora do trabalho disciplinado e da busca do sucesso nos negócios ganhou certa autonomia e continuou a existir independente da motivação religiosa.
Para Weber, ser capitalista é sinônimo de ser disciplinado no que se faz. Seria da grande dedicação ao trabalho que resultaria o sucesso e o enriquecimento. Herança da ética protestante, válida também para os trabalhadores.
Mas por que os católicos e as outras religiões orientais não tiveram parte nesta construção capitalista analisada por Weber?
Porque a ética católica privilegiava o discurso da pobreza, do desapego, reprovando a pura busca do lucro e da usura e não viam o sucesso no trabalho como indícios de salvação e nem como forma de glorificar a Deus, como faziam os calvinistas. Assim sendo, sem motivos divinos para dedicarem- se tanto ao trabalho, não fizeram parte da lista weberiana dos primeiros capitalistas.
Quanto às religiões do mundo oriental, a explicação seria de que essas tinham uma imagem de Deus como sendo parte do mundo secular, ao contrário da ética protestante ocidental que o concebia como estando fora do mundo e puro. Assim sendo, os orientais valorizavam o mundo, pois Deus estaria nele. O Budismo e o Confucionismo são exemplos do que falamos. E daí a idéia e a prática de não se viver apenas para o trabalho, mas sim de poder aproveitar tudo o que se ganha pelo trabalho com as coisas desta vida.
Em relação ao mundo moderno (científico), Weber demonstrava um certo pessimismo e não encontrava saída para os problemas culturais que nele surgiam, assim como para a “prisão” na qual o homem se encontrava por causa do sistema capitalista.
Antes da sociedade moderna, a religião era o que motivava a vida das pessoas e dava sentido para suas ações, inclusive ao trabalho. Mas com o pensamento científico tomando espaço como referencial de mundo, certos apegos culturais – crenças, formas de agir – vindos da religiosidade foram confrontados. O problema que Weber via era que a ciência não poderia ocupar por completo o lugar que a religião tinha ao dar sentido ao mundo. Sociologia / vários autores. – Curitiba: SEED-PR, 2ª edição, Governo do Estado do Paraná, 2006.)


Karl Marx
A crítica da sociedade capitalista.
O alemão, filósofo e economista Karl Marx (1818–1883), foi o fundador do materialismo histórico.Foi o primeiro a empregar o termo “classe social. Em suas obras, Marx sugeria uma ampla mudança na área política, social e econômica. Para ele,  o capitalismo alienou o trabalhador dos meios de produção, pois este conhecia apenas parte desse processo; e o alienou da política, propondo que ele fosse representado por outros.Dessa forma um dos conceitos fundamentais na teoria marxista é a alienação.
  Marx foi um dos responsáveis, se não o maior deles, em promover uma discussão crítica da sociedade capitalista que se consolidava, bem como da origem dos problemas sociais que este tipo de organização social originou.
Para Marx “a história de todas as sociedades tem sido a história da luta de classes”.
-                                                                                              -Para este pensador o capital é uma relação social
"A história de toda a sociedade até hoje", escreve Marx no Manifesto do Partido Comunista (excetuando a história da comunidade primitiva, acrescentaria Engels mais tarde), "é a história de lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, burguesia e trabalhadores, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em constante antagonismo entre si, travaram uma luta ininterrupta, umas vezes oculta, aberta outras, uma luta que acabou sempre com uma transformação revolucionária de toda a sociedade ou com o declínio comum das classes em luta.
Mas como assim, lutas de classe? Quais são elas? Nas sociedades de tipo capitalista a forma principal de conflito ocorre entre suas duas classes sociais fundamentais: a burguesia versus o proletariado.
Você lembra do que comentamos no início desta apostila, como foi que surgiu a chamada burguesia e por que ela ficou conhecida assim ?
Pois bem, segundo Marx, a burguesia foi tendo acesso, a partir da atividade comercial à posse dos meios de produção, enriqueceu e também passou a fazer parte daqueles que controlavam o aparelho estatal, o que acabou, por fim funcionando, principalmente como uma espécie de “escritório burguês”. Com esse acesso ao poder do aparelho estatal, a burguesia foi capaz de usar sua influência sobre ele para ir criando leis que protegessem a propriedade privada (particular), condição indispensável para sua sobrevivência, além de usar o Estado para facilitar a difusão de sua ideologia[1] de classe, isto é, os seus valores de interpretação do mundo.
Enquanto isso, a classe assalariada (os proletários), sem os meios de produção e em desvantagem na capacidade de influência política na sociedade, transforma-se em parte fundamental no enriquecimento da burguesia, pois oferecia mão-de-obra para as fábricas, (as novas unidades de produção do mundo moderno).
Marx se empenhava em produzir escritos que ajudassem a classe proletária a organizar-se e assim sair de sua condição de alienação. Alienado, para Marx, seria o homem que não tem controle sobre o seu próprio trabalho, em termos de tempo e em termos daquilo que é produzido, ou seja, seria o indivíduo expropriado dos meios de produção, coisa que o capitalismo faz em larga escala, pois o tempo do trabalhador e o produto (a mercadoria) pertencem à burguesia, bem como a maior parte da riqueza gerada por meio do trabalho.
O objetivo do sistema capitalista, como modo de produção, é justamente a ampliação e a acumulação de riquezas nas mãos dos proprietários dos meios de produção. Mas de onde sai essa riqueza? Marx diria que é do trabalho do trabalhador.
Exemplo. Quantos sofás por mês um trabalhador pode fazer? Vamos imaginar que sejam 15 sofás, os quais multiplicados a um preço de venda de R$ 300,00 daria o total de R$ 4.500,00. E quanto ganha um trabalhador numa fábrica? Imagine que seja uns R$ 1.000,00, para sermos mais ou menos generosos.
Bem, os R$ 4.500,00 da venda dos sofás, menos o valor do salário do trabalhador, menos a matéria-prima e impostos (imaginemos R$ 1.000,00) resulta na acumulação de R$ 2.500,00 para o dono da fábrica.
Esse lucro Marx chama de mais-valia, pois é um excedente que sai da força de cada trabalhador. Veja, se os meios de produção pertencessem a ele, o seu salário seria de R$ 3.500,00 e não apenas R$ 1.000,00.
Então podemos dizer que o trabalhador está sendo roubado? Não podemos dizer isso, pois o que aqui exemplificamos é conseqüência da existência da propriedade privada dos meios de produção, nas mãos de uma classe, a burguesia.
Devemos partir do entendimento de que as coisas materiais fazem a sociedade acontecer. De outra maneira, seria dizer que tudo o que acontece na sociedade tem ligação com a economia e que ela se transforma na mesma medida em que as formas de produção também se transformam. Por exemplo, com a consolidação do sistema capitalista, toda a sociedade teve que organizar-se de acordo com os novos moldes econômicos.
Marx também via o homem como aquele que pode transformar a sociedade fazendo sua história, mas enfatiza que nem sempre ele o faz como deseja, pois as heranças da estrutura social influenciam-no. Assim sendo, não é unicamente o homem quem faz a história da sociedade, pois a história da sociedade também constrói o homem, numa relação recíproca.
As condições em que se encontram a sociedade vão dizer até que ponto o homem pode construir a sua história.
Por essa lógica podemos pensar que a classe dominante, a burguesia, tem maiores oportunidades de fazer sua história como deseja, pois tem o poder econômico e político nas mãos, ao contrário da classe proletária que, por causa da estrutura social, está desprovida de meios para tal transformação. Para modificar essa situação somente por intermédio de uma revolução, pois assim a classe trabalhadora pode assumir o controle dos meios de produção e tomar o poder político e econômico da burguesia.
Para Marx, a classe trabalhadora deveria organizar-se politicamente, isto é, conscientizar-se de sua condição de explorada e dominada por meio do trabalho (consciência de classe) e transformar a sociedade capitalista em socialista [2] por intermédio da revolução.
            Karl Marx foi influenciado pelas idéias de Hegel, denunciou as contradições sociais e propôs formas de superá-las. Marx escreveu junto com Engels “ O manifesto do partido comunista”, primeira obra referente ao marxismo ou socialismo científico.
-O socialismo científico era uma teoria política e social que previa a vitória dos trabalhadores sobre a burguesia. Para Marx, a sociedade e as estruturas que surgiriam dessa revolução seriam chamadas de comunismo, e o processo de transição do capitalismo para o comunismo seria chamado de socialismo.
-O comunismo pode ser entendido como um sistema econômico, político e social que tem por finalidade a criação de uma sociedade sem classes dominantes, ou seja, tudo seria comum a todos, não haveria propriedade privada.(Sociologia / vários autores. – Curitiba: SEED-PR, 2ª edição, Governo do Estado do Paraná, 2006.)



[1] Ideologia: Segundo Marx e Engels, o termo se encaixa na tradução de “falsa consciência”, ou seja, um conjunto
de idéias falsas que justificavam o domínio burguês e camuflava a existência da dominação desta classe sobre a classe trabalhadora.
[2] Socialismo: Pressupõe uma sociedade na qual os meios de produção pertençam a todos os seus membros. Para tal, o sistema capitalista deveria ser superado, deixando de existir a propriedade privada e passando a existir a “propriedade coletiva”.

As primeiras teorias sociológicas na compreensão do presente parte 1


Auguste Comte (1798-1857),  foi  quem criou o termo “sociologia” a partir da organização do seu curso de Filosofia Positiva. O que desejava Comte com esse curso?

 -Ele pretendia fazer uma síntese da produção científica, ou seja, verificar aquilo que havia sido acumulado em termos de conhecimento, bem como os métodos das ciências já existentes, como os da matemática, da física e da biologia. Ele queria saber se os métodos utilizados nessas ciências, os quais já haviam alcançado um “status” de positivo, poderiam ser utilizados na física social, denominada, por ele de Sociologia.

Este pensador era de uma linha positivista, o que quer dizer que acreditava na superioridade da ciência e no seu poder de explicação dos fenômenos de maneira desprendida da religiosidade, como era comum se pensar naquela época. Como positivista ele acreditava que a ciência deveria ser utilizada para organizar a ordem social.

Na visão do conhecido “Pai” da Sociologia, naquela época, a sociedade estava em desordem, orientada pelo caos. Devemos considerar que Comte vislumbrava o mundo moderno que surgia, isto é, previa a consolidação de um mundo cada vez mais influenciado pela ciência e pelo estabelecimento da indústria, e a crise gerada por uma certa anarquia moral e política quando da transição do sistema feudal  para o sistema capitalista. Era essa positividade (instaurar a disciplina e a ordem) que ele queria para a Sociologia.

Assim sendo quando Comte pensava a Sociologia, colocava toda sua crença de que poderia estudar e entender os problemas sociais que surgiam e reestabelecer a ordem social e o progresso da civilização moderna. Ele queria que a Sociologia estudasse de forma aprofundada os movimentos das sociedades no passado para se entender o presente e, inclusive, para imaginar o futuro da sociedade.

Olhando o passado para compreender o presente, “Saber para prever e prever para poder”.
Comte via a consolidação do sistema capitalista como sendo algo necessário ao desenvolvimento das sociedades. Esse novo sistema, bem como o abandono da teologia para explicação do mundo seriam parte do progresso das civilizações. Já, os problemas sociais ou desordens que surgiam eram considerados obstáculos que deveriam ser resolvidos para que o curso do progresso pudesse continuar.

Portanto, a Sociologia se colocaria, na visão deste autor, como uma ciência para solucionar a crise das sociedades daquela época. Entretanto, Comte não chegou a viabilizar a sua aplicação. Seu trabalho apenas iniciou uma discussão que deveria ser continuada, a fim de que a Sociologia viesse a alcançar um estágio de maturidade e aplicabilidade.

Émile Durkheim
Continuando o trabalho iniciado por Comte, de fazer da Sociologia uma ciência, numa visão positiva, surge o sociólogo francês Émile Durkheim (1858-1917). Coube a ele dar à Sociologia uma reputação científica, torna-la uma disciplina acadêmica com rigor científico foi o seu principal trabalho.É a partir desse pensador que a Sociologia ganha um formato mais “técnico”, sabendo o que e como ela iria buscar na sociedade. Com métodos próprios, a Sociologia deixou de ser apenas uma idéia e ganhou “status” de ciência.
Durkheim presenciou algumas das mais importantes criações da sociedade moderna, como a invenção da eletricidade, do cinema, dos carros de passeio, entre outros. No seu tempo, havia um certo otimismo causado por essas invenções, mas Durkheim também percebia empencilhos nessa sociedade moderna: eram os problemas de ordem social.E uma das primeiras coisas que ele fez foi propor regras de observação e de procedimentos de investigação que fizessem com que a Sociologia fosse capaz de estudar os acontecimentos sociais de maneira semelhante ao que faz a Biologia quando olha para uma célula, por exemplo, vendo a sociedade como um organismo.
Falando em Biologia nota-se que o seu objeto de estudo é a vida em toda a sua diversidade de manifestações. As pesquisas dos fenômenos da natureza feitas pela Biologia são resultantes de várias observações e experimentações, manipuláveis ou não.
Para a Sociologia, manipular os acontecimentos sociais, ou repeti- los, é muito difícil, para não dizer impossível. Por exemplo, como poderíamos reproduzir uma festa ou um movimento de greve “em laboratório” e sempre de igual modo? Seria impossível.
Os fatos sociais
Mas Durkheim acreditava que os acontecimentos sociais – como os crimes, os suícidios, a família, a escola, as leis – poderiam ser observados como coisas (objetos), pois assim, seria mais fácil de estudá-los.
Então ele propôs algumas das regras que identificam que tipo de fenômeno poderia ser estudado pela Sociologia. A esses fenômenos que poderiam ser estudados por uma ciência da sociedade ele denominou de fatos sociais.
E as características dos fatos sociais são: Coletivo ou geral ( generalidade) – significa que o fenômeno é comum a todos os membros de um grupo; Exterior ao indivíduo (exterioridade) – ele acontece independente da vontade individual; Coercitivo (coercitividade) – os indivíduos são “obrigados” a seguir o comportamento estabelecido pelo grupo.
Para entender:
exemplo de um fato social: o casamento
As pessoas pensam, em um dia, se casar. Salvo algumas exceções, pois não pensamos todos da mesma forma, certo? Mas se fizermos uma pesquisa, veremos que a grande maioria das pessoas deseja se unir a alguém. Então podemos dizer que o casamento é um fato coletivo ou geral, pois existe pela vontade da maioria de um grupo ou de uma sociedade.
Mas ainda que alguém não queira se casar, a grande maioria das pessoas vai continuar querendo, não é mesmo? - Isso significa que o fato social “casamento” é exterior ao indivíduo. O que quer dizer que ele se constitui não como resultado das intenções particulares dos indivíduos, mas como resposta às necessidades ou influências do grupo, da comunidade ou da sociedade.Não é verdade que os mais velhos ficam nos “incentivando” a casar? “Não vá ficar pra titia, heim!”, “Onde já se viu! Todo mundo, um dia, tem que se casar!”. Com certeza você já ouviu alguém dizendo isso.
Pois é. Esses dizeres nos levam a crer que o casamento também é coercitivo, pois nos vemos “obrigados” a fazer as mesmas coisas que fazem os demais membros do grupo ou da sociedade a que pertencemos.
Todo fato que reuna essas três características (generalização, exterioridade e coerção) é denominado social, segundo Durkheim, e pode ser estudado pela Sociologia. Quanto ao casamento, poderíamos estudar e descobrir, por exemplo, quais fatores influem na decisão das pessoas em se casarem e se divorciarem para depois se casarem novamente.

O Suicídio = Fato Social
O que leva uma pessoa a se suicidar? Loucura?
Durkheim utilizou sua teoria para explicar, por exemplo, o suicídio. O que aparentemente seria um ato individual, para ele, estava ligado com aquilo que ocorria na sociedade.Esse pensador compreende a sociedade como um corpo organizado, um organismo. Assim como a Biologia que compreende o corpo humano e todas suas partes em pleno funcionamento, é de maneira semelhante que Durkheim entende a sociedade: com suas partes em operação e cumprindo suas funções. E, caso a família, a igreja, o Estado, a escola, o trabalho, os partidos políticos, etc., que são elementos da sociedade com funções específicas, venham a falhar no cumprimento delas, surge no corpo da sociedade aquilo que Durkheim chamou de anomia, ou seja, uma patologia (doença). Assim, como no corpo humano, se algo não funcionar bem, em “ordem”, significa que está doente.

Andar em ‘desconformidade’ com o que seria tido como ideal na sociedade pode ser fator altamente propício ao suicídio no Japão. Não ser aprovado no vestibular ou se endividar podem ser exemplos de ‘desconformidade’ nessa sociedade.

A propósito desse tema, Durkheim verificou que existem três categorias de suicídios:

Suicídio Altruísta: ocorre quando um indivíduo valoriza a sociedade mais do que a ele mesmo, ou seja, os laços que o unem à sociedade são muito fortes. Lembre-se do ocorrido em 11 de Setembro de 2001. Homens, em atos aparentemente “loucos”, pilotavam aviões que se chocaram contra o World Trade Center em Nova York. Para Durkheim, os agentes dessa aparente “loucura” poderiam ser classificados como suicidas altruístas, pois se identificavam de tal forma com o grupo Al Qaeda, ao qual pertenciam, que se dispuseram a morrer por ele. Da mesma maneira aconteceu com os kamikases japoneses durante a 2º Guerra Mundial (1939-1945) e que, de certa forma, continua acontecendo com os “homens-bomba” de hoje. Se você assistir ao filme “O Patriota”, com Mel Gibson, poderá ver um exemplo de alguém que se dispôs a morrer por uma causa que acreditava em relação ao seu país.
Suicídio Egoísta: se alguém se desvinculasse das instituições sociais (família, igreja, escola, partido político, etc.) por conta própria, para viver de maneira livre, sem regras, qual seria o limite para essa pessoa, uma vez que ninguém a controlaria? Pois é, segundo Durkheim, a falta de redes de convívio ou limites para a ação poderia levar a pessoa a desejar ilimitadas coisas. Mas caso tal pessoa não consiga realizar os seus desejos, a frustração poderia levá-la a um suicídio.
Suicídio Anômico: este tipo pode acontecer quando as partes do corpo social deixam de funcionar e as normas ou laços que poderiam “abraçar”(solidarizar) os indivíduos perdem sua eficácia, deixando-os viver de forma desregrada ou em crise. Um exemplo disso pode ser pensado quando, na nossa sociedade, uma família abandona o filho, ou o idoso, ou o doente.



Poder, política e Estado

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