“A imaginação sociológica nos permite ver que
muitos eventos que parecem dizer respeito somente ao indivíduo, na verdade
refletem questões muito mais amplas. O divórcio, por exemplo pode ser um
processo muito difícil para alguém que passa por ele – o que Mills chama de
“problema pessoal” – mas o divórcio, assinala Mills, é também um problema
público, numa sociedade como a atual Grã-Bretanha, onde mais de um terço de
todos os casamentos termina dentro de dez anos. O desemprego, para usar outro
exemplo, pode ser uma tragédia pessoal, para alguém despedido de um emprego e
inapto para encontrar outro. Mesmo assim, isso vai bem além de uma questão
geradora de uma aflição pessoal, se considerarmos que milhões de pessoas numa
sociedade estão na mesma situação: é um assunto público expressando amplas
tendências sociais.” (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre:
Artmed,2005).
Embora sejamos influenciados pelos contextos
sociais em que nos encontramos, nenhum de nós tem o comportamento simplesmente
modelado por esses contextos, possuímos, criamos, construímos nossa própria
individualidade. É trabalho da sociologia investigar as conexões entre o que a
sociedade faz de nós e o que fazemos de nós mesmos. As nossas atividades tanto
estruturam, modelam, como ao mesmo tempo são estruturadas por esse mundo
social. O conceito de estrutura social é muito importante na Sociologia, ele se
refere ao fato de que os contextos sociais de nossas vidas não se consistem
apenas em conjuntos esporádicos de eventos ou ações, são constituídos ou
uniformizados de formas distintas. Há regularidades nos modos como nos
comportamos e nos relacionamentos que temos uns com os outros. Entretando a
estrutura social não é como uma estrutura física, como um edifício que existe
independentemente das ações humanas. As sociedades humanas estão sempre em
processo de estruturação. Elas são reestruturadas a todo momento pelos próprios
blocos de construção que as compõe, os
seres humanos. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).
A sociologia tem muitas implicações práticas
para nossas vidas, primeiramente a Sociologia nos permite ver o mundo social a
partir de outros pontos de vista que não o nosso. Se compreendemos precisamente como os outros vivem, também
adquirimos melhor entendimento de quais são os seus problemas. Políticas
práticas que não são baseadas numa consciência bem informada dos modos de vida
das pessoas afetadas por elas tem poucas chances de sucesso. Por exemplo, uma
assistente social branca, operando numa comunidade predominantemente negra, não
ganhará a confiança de seus membros sem desenvolver uma sensibilidade às
diferenças na experiência social que separam brancos e negros. (Giddens, A. Sociologia,
Porto Alegre: Artmed,2005).
“A
sociologia pode nos fornecer auto-esclarecimento, uma maior autocompreensão. Quanto
mais sabemos porque agimos como agimos e como se dá o completo funcionamento de
nossa sociedade provavelmente seremos mais capazes de influenciar nossos
próprios futuros. Não deveríamos ver a Sociologia como uma ciência que auxilia
somente os que fazem políticas, ou seja, grupos poderosos, com o propósito de
tomarem decisões informadas. Não se pode supor que os que estão no poder sempre
levarão em consideração, em suas políticas os interesses dos menos poderosos ou
menos privilegiados. Grupos de auto-esclarecimento podem frequentemente se
beneficiar da pesquisa sociológica e responder de forma efetiva as políticas
governamentais ou formar iniciativas políticas próprias”. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre:
Artmed,2005).
Quando
começamos a estudar Sociologia pela primeira vez, alguns e algumas de nós ficam confusos com a
diversidade de abordagens que encontramos e muitas vezes questionamos de que
nos serviria tais abordagens e conhecimentos. A Sociologia nunca foi uma
disciplina em que há um conjunto de idéias que todos aceitam como válidas. Os
sociólogos frequentemente discutem entre si sobre como abordar o estudo do
comportamento humano e sobre como os resultados das pesquisas podem ser melhor
interpretados. Por que deveria ser assim? A reposta está ligada a própria
natureza da área. A Sociologia diz respeito as nossas vidas e ao nosso próprio
comportamento, e estudar nós mesmos é o mais complexo e árduo trabalho que
podemos realizar, afinal somos indíviduos, e como indivíduos possuímos
características individuais, peculiares. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre:
Artmed,2005). Os dedos das mãos fazem parte de uma mesma “estrutura” certo? Mas
ele são iguais?
Em uma coisa todos os sociólogos concordam,
que a Sociologia é uma disicplina na qual deixamos de lado nossa visão
pessoal do mundo para olhar mais
cuidadosamente para as influências que moldam nossas vidas e as dos outros (as)
.A Sociologia não é apenas um campo intelectual abstrato, mas tem implicações
práticas mais importantes para as vidas das pessoas. Aprender a tornar-se um
sociólogo não deveria ser um esforço acadêmico maçante, a melhor forma de se
evitar isso é abordar o assunto pesquisado de um modo imaginativo e relacionar
idéias e achados sociológicos a situações de nossas vidas. (Giddens, A.
Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).
Uma forma de fazer isso é estar consciente
das diferenças entre os modos de vida, que nós, nas sociedades modernas,
tomamos por normais e aqueles de outros grupos humanos. Ainda que os seres
humanos tenham muito em comum, há muitas variações entre diferentes sociedades
e culturas. A prática da sociologia envolve a habilidade de pensar imaginativamente
e afastar-se de idéias preconcebidas sobre a vida social.A Sociologia nos
fornece os meios de aumentar nossas sensibilidades culturais, permitindo que as
políticas se baseiem em uma consciência de valores culturais divergentes. (Giddens,
A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).
Para compreendermos a sociologia temos de
estar conscientes de nós próprios como seres humanos entre outros seres
humanos.Ao procurarmos ampliar a nossa compreensão dos processos humanos e
sociais e adquirir uma base crescente de conhecimentos mais sólidos acerca
desses processos, isto já constitui uma das tarefas fundamentais da Sociologia.
Também neste âmbito as pessoas verificam que estão sujeitas a forças que as
coagem. “Procuram compreendê-las para que
com a ajuda desse conhecimento, possam adquirir um certo controle sobre o
discurso cego dessas forças compulsivas, cujos efeitos são muitas vezes
destruidores e destituídos de qualquer significado. O objetivo é orientar essas
forças de modo a encontrar-lhes siginificados, tornando-as menos destruidoras
de vidas e de recursos. Daqui decorre ser fundamental para o ensino da
Sociologia e para sua prática de investigação, a aquisição de uma compreensão
geral dessas forças e um aumento de conhecimentos seguros das mesmas, através
de campos especializados de investigação.”
Continuando...
Continuando...
“A imaginação sociológica nos permite ver que
muitos eventos que parecem dizer respeito somente ao indivíduo, na verdade
refletem questões muito mais amplas. O divórcio, por exemplo pode ser um
processo muito difícil para alguém que passa por ele – o que Mills chama de
“problema pessoal” – mas o divórcio, assinala Mills, é também um problema
público, numa sociedade como a atual Grã-Bretanha, onde mais de um terço de
todos os casamentos termina dentro de dez anos. O desemprego, para usar outro
exemplo, pode ser uma tragédia pessoal, para alguém despedido de um emprego e
inapto para encontrar outro. Mesmo assim, isso vai bem além de uma questão
geradora de uma aflição pessoal, se considerarmos que milhões de pessoas numa
sociedade estão na mesma situação: é um assunto público expressando amplas
tendências sociais.” (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre:
Artmed,2005).
Embora sejamos influenciados pelos contextos
sociais em que nos encontramos, nenhum de nós tem o comportamento simplesmente
modelado por esses contextos, possuímos, criamos, construímos nossa própria
individualidade. É trabalho da sociologia investigar as conexões entre o que a
sociedade faz de nós e o que fazemos de nós mesmos. As nossas atividades tanto
estruturam, modelam, como ao mesmo tempo são estruturadas por esse mundo
social. O conceito de estrutura social é muito importante na Sociologia, ele se
refere ao fato de que os contextos sociais de nossas vidas não se consistem
apenas em conjuntos esporádicos de eventos ou ações, são constituídos ou
uniformizados de formas distintas. Há regularidades nos modos como nos
comportamos e nos relacionamentos que temos uns com os outros. Entretando a
estrutura social não é como uma estrutura física, como um edifício que existe
independentemente das ações humanas. As sociedades humanas estão sempre em
processo de estruturação. Elas são reestruturadas a todo momento pelos próprios
blocos de construção que as compõe, os
seres humanos. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).
A sociologia tem muitas implicações práticas
para nossas vidas, primeiramente a Sociologia nos permite ver o mundo social a
partir de outros pontos de vista que não o nosso. Se compreendemos precisamente como os outros vivem, também
adquirimos melhor entendimento de quais são os seus problemas. Políticas
práticas que não são baseadas numa consciência bem informada dos modos de vida
das pessoas afetadas por elas tem poucas chances de sucesso. Por exemplo, uma
assistente social branca, operando numa comunidade predominantemente negra, não
ganhará a confiança de seus membros sem desenvolver uma sensibilidade às
diferenças na experiência social que separam brancos e negros. (Giddens, A. Sociologia,
Porto Alegre: Artmed,2005).
“A
sociologia pode nos fornecer auto-esclarecimento, uma maior autocompreensão. Quanto
mais sabemos porque agimos como agimos e como se dá o completo funcionamento de
nossa sociedade provavelmente seremos mais capazes de influenciar nossos
próprios futuros. Não deveríamos ver a Sociologia como uma ciência que auxilia
somente os que fazem políticas, ou seja, grupos poderosos, com o propósito de
tomarem decisões informadas. Não se pode supor que os que estão no poder sempre
levarão em consideração, em suas políticas os interesses dos menos poderosos ou
menos privilegiados. Grupos de auto-esclarecimento podem frequentemente se
beneficiar da pesquisa sociológica e responder de forma efetiva as políticas
governamentais ou formar iniciativas políticas próprias”. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre:
Artmed,2005).
Quando
começamos a estudar Sociologia pela primeira vez, alguns e algumas de nós ficam confusos com a
diversidade de abordagens que encontramos e muitas vezes questionamos de que
nos serviria tais abordagens e conhecimentos. A Sociologia nunca foi uma
disciplina em que há um conjunto de idéias que todos aceitam como válidas. Os
sociólogos frequentemente discutem entre si sobre como abordar o estudo do
comportamento humano e sobre como os resultados das pesquisas podem ser melhor
interpretados. Por que deveria ser assim? A reposta está ligada a própria
natureza da área. A Sociologia diz respeito as nossas vidas e ao nosso próprio
comportamento, e estudar nós mesmos é o mais complexo e árduo trabalho que
podemos realizar, afinal somos indíviduos, e como indivíduos possuímos
características individuais, peculiares. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre:
Artmed,2005). Os dedos das mãos fazem parte de uma mesma “estrutura” certo? Mas
ele são iguais?
Em uma coisa todos os sociólogos concordam,
que a Sociologia é uma disicplina na qual deixamos de lado nossa visão
pessoal do mundo para olhar mais
cuidadosamente para as influências que moldam nossas vidas e as dos outros (as)
.A Sociologia não é apenas um campo intelectual abstrato, mas tem implicações
práticas mais importantes para as vidas das pessoas. Aprender a tornar-se um
sociólogo não deveria ser um esforço acadêmico maçante, a melhor forma de se
evitar isso é abordar o assunto pesquisado de um modo imaginativo e relacionar
idéias e achados sociológicos a situações de nossas vidas. (Giddens, A.
Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).
Uma forma de fazer isso é estar consciente
das diferenças entre os modos de vida, que nós, nas sociedades modernas,
tomamos por normais e aqueles de outros grupos humanos. Ainda que os seres
humanos tenham muito em comum, há muitas variações entre diferentes sociedades
e culturas. A prática da sociologia envolve a habilidade de pensar imaginativamente
e afastar-se de idéias preconcebidas sobre a vida social.A Sociologia nos
fornece os meios de aumentar nossas sensibilidades culturais, permitindo que as
políticas se baseiem em uma consciência de valores culturais divergentes. (Giddens,
A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).
Para compreendermos a sociologia temos de
estar conscientes de nós próprios como seres humanos entre outros seres
humanos.Ao procurarmos ampliar a nossa compreensão dos processos humanos e
sociais e adquirir uma base crescente de conhecimentos mais sólidos acerca
desses processos, isto já constitui uma das tarefas fundamentais da Sociologia.
Também neste âmbito as pessoas verificam que estão sujeitas a forças que as
coagem. “Procuram compreendê-las para que
com a ajuda desse conhecimento, possam adquirir um certo controle sobre o
discurso cego dessas forças compulsivas, cujos efeitos são muitas vezes
destruidores e destituídos de qualquer significado. O objetivo é orientar essas
forças de modo a encontrar-lhes siginificados, tornando-as menos destruidoras
de vidas e de recursos. Daqui decorre ser fundamental para o ensino da
Sociologia e para sua prática de investigação, a aquisição de uma compreensão
geral dessas forças e um aumento de conhecimentos seguros das mesmas, através
de campos especializados de investigação.”
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