domingo, 5 de abril de 2020

Imaginação sociológica


A imaginação sociológica nos permite ver que muitos eventos que parecem dizer respeito somente ao indivíduo, na verdade refletem questões muito mais amplas. O divórcio, por exemplo pode ser um processo muito difícil para alguém que passa por ele – o que Mills chama de “problema pessoal” – mas o divórcio, assinala Mills, é também um problema público, numa sociedade como a atual Grã-Bretanha, onde mais de um terço de todos os casamentos termina dentro de dez anos. O desemprego, para usar outro exemplo, pode ser uma tragédia pessoal, para alguém despedido de um emprego e inapto para encontrar outro. Mesmo assim, isso vai bem além de uma questão geradora de uma aflição pessoal, se considerarmos que milhões de pessoas numa sociedade estão na mesma situação: é um assunto público expressando amplas tendências sociais.  (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).

Embora sejamos influenciados pelos contextos sociais em que nos encontramos, nenhum de nós tem o comportamento simplesmente modelado por esses contextos, possuímos, criamos, construímos nossa própria individualidade. É trabalho da sociologia investigar as conexões entre o que a sociedade faz de nós e o que fazemos de nós mesmos. As nossas atividades tanto estruturam, modelam, como ao mesmo tempo são estruturadas por esse mundo social. O conceito de estrutura social é muito importante na Sociologia, ele se refere ao fato de que os contextos sociais de nossas vidas não se consistem apenas em conjuntos esporádicos de eventos ou ações, são constituídos ou uniformizados de formas distintas. Há regularidades nos modos como nos comportamos e nos relacionamentos que temos uns com os outros. Entretando a estrutura social não é como uma estrutura física, como um edifício que existe independentemente das ações humanas. As sociedades humanas estão sempre em processo de estruturação. Elas são reestruturadas a todo momento pelos próprios blocos de construção  que as compõe, os seres humanos. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).
A sociologia tem muitas implicações práticas para nossas vidas, primeiramente a Sociologia nos permite ver o mundo social a partir de outros pontos de vista que não o nosso. Se compreendemos  precisamente como os outros vivem, também adquirimos melhor entendimento de quais são os seus problemas. Políticas práticas que não são baseadas numa consciência bem informada dos modos de vida das pessoas afetadas por elas tem poucas chances de sucesso. Por exemplo, uma assistente social branca, operando numa comunidade predominantemente negra, não ganhará a confiança de seus membros sem desenvolver uma sensibilidade às diferenças na experiência social que separam brancos e negros. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).
“A sociologia pode nos fornecer auto-esclarecimento, uma maior autocompreensão. Quanto mais sabemos porque agimos como agimos e como se dá o completo funcionamento de nossa sociedade provavelmente seremos mais capazes de influenciar nossos próprios futuros. Não deveríamos ver a Sociologia como uma ciência que auxilia somente os que fazem políticas, ou seja, grupos poderosos, com o propósito de tomarem decisões informadas. Não se pode supor que os que estão no poder sempre levarão em consideração, em suas políticas os interesses dos menos poderosos ou menos privilegiados. Grupos de auto-esclarecimento podem frequentemente se beneficiar da pesquisa sociológica e responder de forma efetiva as políticas governamentais ou formar iniciativas políticas próprias”. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).

Quando começamos a estudar Sociologia pela primeira vez,  alguns e algumas de nós ficam confusos com a diversidade de abordagens que encontramos e muitas vezes questionamos de que nos serviria tais abordagens e conhecimentos. A Sociologia nunca foi uma disciplina em que há um conjunto de idéias que todos aceitam como válidas. Os sociólogos frequentemente discutem entre si sobre como abordar o estudo do comportamento humano e sobre como os resultados das pesquisas podem ser melhor interpretados. Por que deveria ser assim? A reposta está ligada a própria natureza da área. A Sociologia diz respeito as nossas vidas e ao nosso próprio comportamento, e estudar nós mesmos é o mais complexo e árduo trabalho que podemos realizar, afinal somos indíviduos, e como indivíduos possuímos características individuais, peculiares. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005). Os dedos das mãos fazem parte de uma mesma “estrutura” certo? Mas ele são iguais?
Em uma coisa todos os sociólogos concordam, que a Sociologia é uma disicplina na qual deixamos de lado nossa visão pessoal  do mundo para olhar mais cuidadosamente para as influências que moldam nossas vidas e as dos outros (as) .A Sociologia não é apenas um campo intelectual abstrato, mas tem implicações práticas mais importantes para as vidas das pessoas. Aprender a tornar-se um sociólogo não deveria ser um esforço acadêmico maçante, a melhor forma de se evitar isso é abordar o assunto pesquisado de um modo imaginativo e relacionar idéias e achados sociológicos a situações de nossas vidas. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).
Uma forma de fazer isso é estar consciente das diferenças entre os modos de vida, que nós, nas sociedades modernas, tomamos por normais e aqueles de outros grupos humanos. Ainda que os seres humanos tenham muito em comum, há muitas variações entre diferentes sociedades e culturas. A prática da sociologia envolve a habilidade de pensar imaginativamente e afastar-se de idéias preconcebidas sobre a vida social.A Sociologia nos fornece os meios de aumentar nossas sensibilidades culturais, permitindo que as políticas se baseiem em uma consciência de valores culturais divergentes. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).
Para compreendermos a sociologia temos de estar conscientes de nós próprios como seres humanos entre outros seres humanos.Ao procurarmos ampliar a nossa compreensão dos processos humanos e sociais e adquirir uma base crescente de conhecimentos mais sólidos acerca desses processos, isto já constitui uma das tarefas fundamentais da Sociologia. Também neste âmbito as pessoas verificam que estão sujeitas a forças que as coagem. “Procuram compreendê-las para que com a ajuda desse conhecimento, possam adquirir um certo controle sobre o discurso cego dessas forças compulsivas, cujos efeitos são muitas vezes destruidores e destituídos de qualquer significado. O objetivo é orientar essas forças de modo a encontrar-lhes siginificados, tornando-as menos destruidoras de vidas e de recursos. Daqui decorre ser fundamental para o ensino da Sociologia e para sua prática de investigação, a aquisição de uma compreensão geral dessas forças e um aumento de conhecimentos seguros das mesmas, através de campos especializados de investigação.”

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A imaginação sociológica nos permite ver que muitos eventos que parecem dizer respeito somente ao indivíduo, na verdade refletem questões muito mais amplas. O divórcio, por exemplo pode ser um processo muito difícil para alguém que passa por ele – o que Mills chama de “problema pessoal” – mas o divórcio, assinala Mills, é também um problema público, numa sociedade como a atual Grã-Bretanha, onde mais de um terço de todos os casamentos termina dentro de dez anos. O desemprego, para usar outro exemplo, pode ser uma tragédia pessoal, para alguém despedido de um emprego e inapto para encontrar outro. Mesmo assim, isso vai bem além de uma questão geradora de uma aflição pessoal, se considerarmos que milhões de pessoas numa sociedade estão na mesma situação: é um assunto público expressando amplas tendências sociais.”  (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).

Embora sejamos influenciados pelos contextos sociais em que nos encontramos, nenhum de nós tem o comportamento simplesmente modelado por esses contextos, possuímos, criamos, construímos nossa própria individualidade. É trabalho da sociologia investigar as conexões entre o que a sociedade faz de nós e o que fazemos de nós mesmos. As nossas atividades tanto estruturam, modelam, como ao mesmo tempo são estruturadas por esse mundo social. O conceito de estrutura social é muito importante na Sociologia, ele se refere ao fato de que os contextos sociais de nossas vidas não se consistem apenas em conjuntos esporádicos de eventos ou ações, são constituídos ou uniformizados de formas distintas. Há regularidades nos modos como nos comportamos e nos relacionamentos que temos uns com os outros. Entretando a estrutura social não é como uma estrutura física, como um edifício que existe independentemente das ações humanas. As sociedades humanas estão sempre em processo de estruturação. Elas são reestruturadas a todo momento pelos próprios blocos de construção  que as compõe, os seres humanos. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).
A sociologia tem muitas implicações práticas para nossas vidas, primeiramente a Sociologia nos permite ver o mundo social a partir de outros pontos de vista que não o nosso. Se compreendemos  precisamente como os outros vivem, também adquirimos melhor entendimento de quais são os seus problemas. Políticas práticas que não são baseadas numa consciência bem informada dos modos de vida das pessoas afetadas por elas tem poucas chances de sucesso. Por exemplo, uma assistente social branca, operando numa comunidade predominantemente negra, não ganhará a confiança de seus membros sem desenvolver uma sensibilidade às diferenças na experiência social que separam brancos e negros. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).

“A sociologia pode nos fornecer auto-esclarecimento, uma maior autocompreensão. Quanto mais sabemos porque agimos como agimos e como se dá o completo funcionamento de nossa sociedade provavelmente seremos mais capazes de influenciar nossos próprios futuros. Não deveríamos ver a Sociologia como uma ciência que auxilia somente os que fazem políticas, ou seja, grupos poderosos, com o propósito de tomarem decisões informadas. Não se pode supor que os que estão no poder sempre levarão em consideração, em suas políticas os interesses dos menos poderosos ou menos privilegiados. Grupos de auto-esclarecimento podem frequentemente se beneficiar da pesquisa sociológica e responder de forma efetiva as políticas governamentais ou formar iniciativas políticas próprias”. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).

Quando começamos a estudar Sociologia pela primeira vez,  alguns e algumas de nós ficam confusos com a diversidade de abordagens que encontramos e muitas vezes questionamos de que nos serviria tais abordagens e conhecimentos. A Sociologia nunca foi uma disciplina em que há um conjunto de idéias que todos aceitam como válidas. Os sociólogos frequentemente discutem entre si sobre como abordar o estudo do comportamento humano e sobre como os resultados das pesquisas podem ser melhor interpretados. Por que deveria ser assim? A reposta está ligada a própria natureza da área. A Sociologia diz respeito as nossas vidas e ao nosso próprio comportamento, e estudar nós mesmos é o mais complexo e árduo trabalho que podemos realizar, afinal somos indíviduos, e como indivíduos possuímos características individuais, peculiares. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005). Os dedos das mãos fazem parte de uma mesma “estrutura” certo? Mas ele são iguais?

Em uma coisa todos os sociólogos concordam, que a Sociologia é uma disicplina na qual deixamos de lado nossa visão pessoal  do mundo para olhar mais cuidadosamente para as influências que moldam nossas vidas e as dos outros (as) .A Sociologia não é apenas um campo intelectual abstrato, mas tem implicações práticas mais importantes para as vidas das pessoas. Aprender a tornar-se um sociólogo não deveria ser um esforço acadêmico maçante, a melhor forma de se evitar isso é abordar o assunto pesquisado de um modo imaginativo e relacionar idéias e achados sociológicos a situações de nossas vidas. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).

Uma forma de fazer isso é estar consciente das diferenças entre os modos de vida, que nós, nas sociedades modernas, tomamos por normais e aqueles de outros grupos humanos. Ainda que os seres humanos tenham muito em comum, há muitas variações entre diferentes sociedades e culturas. A prática da sociologia envolve a habilidade de pensar imaginativamente e afastar-se de idéias preconcebidas sobre a vida social.A Sociologia nos fornece os meios de aumentar nossas sensibilidades culturais, permitindo que as políticas se baseiem em uma consciência de valores culturais divergentes. (Giddens, A. Sociologia, Porto Alegre: Artmed,2005).


Para compreendermos a sociologia temos de estar conscientes de nós próprios como seres humanos entre outros seres humanos.Ao procurarmos ampliar a nossa compreensão dos processos humanos e sociais e adquirir uma base crescente de conhecimentos mais sólidos acerca desses processos, isto já constitui uma das tarefas fundamentais da Sociologia. Também neste âmbito as pessoas verificam que estão sujeitas a forças que as coagem. “Procuram compreendê-las para que com a ajuda desse conhecimento, possam adquirir um certo controle sobre o discurso cego dessas forças compulsivas, cujos efeitos são muitas vezes destruidores e destituídos de qualquer significado. O objetivo é orientar essas forças de modo a encontrar-lhes siginificados, tornando-as menos destruidoras de vidas e de recursos. Daqui decorre ser fundamental para o ensino da Sociologia e para sua prática de investigação, a aquisição de uma compreensão geral dessas forças e um aumento de conhecimentos seguros das mesmas, através de campos especializados de investigação.”

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